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A internação do senador Aécio Neves (PSDB-MG) nesta quinta-feira (12/4), em Brasília, é recheada de mistérios. O principal deles, talvez, é a discrepância entre o boletim médico apresentado pela assessoria do parlamentar e o emitido pelo Hospital Santa Lúcia, onde o tucano foi atendido.

Na versão divulgada pelos aliados de Aécio Neves, a hora de emissão do documento é 14h30. No boletim oficial divulgado pela unidade de saúde, o horário cravado foi 15h. Em outro detalhe, no informativo encaminhado pelo gabinete do senador, o nome do médico Sergio Murilo Domingues Júnior recebe acento agudo na letra “e”. Na versão hospitalar, a grafia não possui acento.

O Metrópoles recorreu a uma plataforma na internet criada para averiguar a legitimidade de documentos virtuais. O resultado da pesquisa: a versão da assessoria foi classificada em grau amarelo, que significa alerta, “arquivo com potencial modificação”. “Nossos testes sugerem que esse documento foi salvo novamente desde a captura inicial. Como esse arquivo não é um original da câmera, é possível que ele tenha sido modificado”, sugere o site, originalmente em inglês.

Confira abaixo os dois boletins e suas diferenças, além do resultado da comparação pela plataforma na web: 

 

Procurada pela coluna, a assessoria de imprensa do Hospital Santa Lúcia sustenta que apenas um boletim médico oficial sobre o paciente foi disparado: o do próprio estabelecimento, com o horário das 15h. O gabinete do mineiro não retornou o contato.

Taquicardia
O senador Aécio Neves foi internado na manhã desta quinta-feira (12/4) após sintomas de taquicardia e insuficiência respiratória, segundo fontes ouvidas pela coluna. Em nota, a assessoria de imprensa do mineiro afirmou que a ida ao hospital se deu apenas para “exames de rotina” e o parlamentar passava bem.

A internação de Aécio acontece na semana na qual o ministro Alexandre de Moraes, presidente da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou para a próxima terça-feira (17) o julgamento sobre o recebimento da denúncia contra o senador em um dos inquéritos resultantes da delação do empresário Joesley Batista, da JBS.

Segundo a acusação, Aécio solicitou a Joesley Batista, em conversa gravada pela Polícia Federal (PF), propina de R$ 2 milhões em troca de sua atuação política. O parlamentar foi acusado pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pelos crimes de corrupção passiva e tentativa de obstruir a Justiça.

O senador já negou diversas vezes qualquer irregularidade no pedido feito a Joesley, alegando que a quantia era um empréstimo pessoal, sem contrapartida em favor do empresário.



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