Bispo evangélico é condenado a 20 anos por estupro de adolescente no DF

Preso desde 2019, religioso teve a pena agravada por exercer continuidade do crime contra menor de 18 anos

atualizado 16/09/2020 9:44

Reprodução / Redes sociais

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) condenou a 20 anos e 6 meses de prisão o líder religioso João Batista dos Santos por estuprar uma adolescente de apenas 13 anos. A ação foi protocolada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

De acordo com o órgão de fiscalização, a pena foi agravada pela autoridade que o réu exercia sobre a vítima como bispo da igreja evangélica Ministério Arca Deus Presente, no Gama. A Vara Criminal do Recanto das Emas reconheceu, portanto, a ocorrência continuada do crime, por pelos menos três vezes.

Na ocasião dos fatos, em 2017, o réu era bispo de igreja e teria sido apresentado à vítima, com quem desenvolveu relação de confiança e proximidade. Segundo denúncia do MPDFT, recebida pela Justiça em 3 de março deste ano, mesmo antes dos abusos, o bispo falava que amava e que iria se casar com a vítima. Depois de a adolescente confidenciar ser homossexual, ele propôs passar um óleo para ungir seu corpo, argumentando ser uma forma de cura gay.

Após os abusos, a vítima começou a ter crises de ansiedade e, por isso, decidiu relatar os fatos ocorridos. De acordo com investigadores, o bispo buscava a garota em casa e falava aos pais da menina que ela o ajudaria a resolver algumas questões relacionadas ao culto. Quando se certificava de que estavam sozinhos, ele a despia e praticava o estupro.

Para o Ministério Público, “é evidente que o modus operandi utilizado não é inédito, ou seja, há um padrão de ataque. “Depois de ganhar a confiança das vítimas, estas eram levadas a acreditar que poderiam ser curadas com um óleo ungido passado em seu corpo”, ao citar outra sentença condenatória contra o réu, nos quais se constata o uso de óleo para tocar o corpo, inclusive nas partes íntimas.

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Crise de ansiedade

“A conduta do réu trouxe à vítima problemas de saúde consistentes em crises de ansiedade e do pânico, bem como gerando a ocorrência de episódios de desmaios e necessidade de atendimento psicológico, aspectos que sugerem gravames que extrapolam o próprio dissabor decorrente dos atos libidinosos a que foi submetida”, reforça a sentença.

O representante religioso estava preso preventivamente desde fevereiro. Após o início das investigações, verificou-se que o homem anteriormente havia sido condenado duas vezes pelo crime de violação sexual mediante fraude. Na oportunidade, recorreu em ambas ações e respondia aos processos em liberdade.

Ele também havia sido absolvido em outros dois processos com denúncias semelhantes.

Rumores

Na igreja, de acordo com ela, rumores sobre os crimes que João Batista cometia são frequentes desde 2013, quando foi registrado o primeiro caso de abuso sexual pelo qual o homem respondia.

“Antigamente, a igreja dele era muito cheia. Depois do primeiro escândalo, já não ia tanta gente como antes. Então, ele começou a mudar de endereço várias vezes”, revelou.

Apesar de a Polícia Civil (PCDF) ter encerrado as investigações, o delegado chefe da 27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas), Pablo Aguiar, pediu que novas vítimas não hesitem em procurar a unidade para denunciar.

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