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Na última quarta-feira (13/9), a convite da marca Prada, cheguei a São Paulo na companhia da minha mãe, Cleucy Oliveira, de Claudia Salomão e Tatiane Vennuto. Fomos assistir ao desfile das coleções Pre-Fall e Outono/Inverno 2018 na loja do Shopping Cidade Jardim.

Chegando ao quarto do Palácio Tangará, fui presenteada com o ma-ra-vi-lho-so livro “Pradasphere”, que inclui fotos de peças de todas as coleções da marca. Ao lado, havia um itinerário com a programação do dia. Almoçamos, nos vestimos e seguimos até o shopping Cidade Jardim.

Ilca Maria Estevão

O evento superintimista apresentou mais peças da incrível coleção que eu conheci na loja de Brasília, mas, desta vez, com um desfile narrado pela curadoria do renomado jornalista de moda, Bruno Astuto que nomeou as peças em veludo cotelê e as meias ¾ como a tendência must-have da estação.

Além de falar sobre moda, a marca fez pela segunda vez uma parceria com a Ong Childhood Brasil. Todas as vendas feitas até a próxima quarta (20/9), na loja do Cidade Jardim em São Paulo, serão revertidas para os projetos da fundação.

A apresentação foi altamente interativa, linda e divertida e Bruno Astuto anunciou o desfile com muito bom humor e originalidade. Falou de Miuccia com muito entendimento e carinho. Podia-se pensar que são amigos de longa data. Entre as convidadas, estavam Costanza Pascolato, sempre muito elegante e simpática, e a personal stylist Usha Meirelles.

A Prada lançou duas coleções: Pre-Fall e Fall/Winter e esbanjou modernidade, feminilidade e glamour. Todo e cada tipo de mulher pode se identificar com as peças da passarela e com o desfile da coleção, que tinha como maior propósito valorizar e reconhecer mulheres de todos os estilos.

Com uma pegada que mistura masculino e feminino o desfile abriu com um look de casaco de corte reto e uma vibe jovem com meias ¾,  um mocassim com salto em cristais além da bolsa velvet  — peça em veludo com estampa cubista feita pela ilustradora sueca de sucesso em Paris, Liselotte Watkins. Os acessórios davam um toque extrafeminino àquele look mais masculino.  A bolsa, além de estar presente na passarela, foi usada no evento por Cleucy Oliveira.

 

Ainda dentro desse conceito genderless, os looks masculinos eram complementados por penas, plumas e pompons – assim como no início do feminismo nos anos 1960 onde as mulheres usavam roupas masculinas de dia e à noite, com um intuito de sedução, vestiam plumas inspiradas na Belle Époque dos anos 1920.

Miuccia apresentou também uma mistura de tecidos e estampas. Um look de jaqueta vinho com manga de pônei causou impacto quando usado com um salto maravilhoso, em tom verde-bandeira e amarelo, quase como uma homenagem às cores do Brasil.

Várias de suas estampas tinham motivo floral no estilo buquê. Galhos com rosas vermelhas na saia e, na parte de cima, um cardigã romântico com outra estampa floral. “Eram dois jardins completamente diferentes adornados por um cinto laranja”, comentou o jornalista. Outro look floral maravilhoso foi desfilado em um conjunto estilo pijama com um laço amarrado, que mais lembrava um quimono. Intituladas “Dhalia”, as impressões florais foram pintadas pela artista Jeanne Detallante, também responsável pela criação das bolsas Faces, sucesso em uma coleção anterior.

Como não podia ficar de fora, a estilista trouxe a pegada rock dos anos 1960 e 1970 para as peças, tendência muito usada na estação – como tachinhas e corte punk. Essas foram as décadas onde ela era ativista em protestos. Mas também foi muito influenciada pela marca Biba Boutique daquela geração, inclusive no uso de pelo de pônei, que era uma tendência forte nas coleções.

 

Cleucy Oliveira/Ilca Maria Estevão

Com uma pegada mais urbana, Miuccia pediu para grafiteiros anônimos fazerem a estampa para alguns casacos, camisas e vestidos-envelope. A inspiração era a cidade e as peças ficaram femininas, chiques e artsy. A estampa ficou conhecida como “cars”.

Bruno falou muito da força da cor rosa nesta estação — rosa millennial em calças, casacos e detalhes. Os sapatos com penas de pássaros super glamourosos acompanhavam grande parte dos looks. Isso sem deixar de fora as camisas-vestido e camisetas, além de saias e vestidos com estampa do artista americano Robert Edwards McGinnis. A estilista escolheu pôsteres fictícios criados por McGinnis, que ficou conhecido por elaborar mais de 40 cartazes de filmes famosos — os mais lembrados são os dos clássicos “Bonequinha de Luxo” e “Barbarella”.

A História da Prada
A marca começou em 1914 com avô de Miuccia, Mario Prada, e seu irmão Martino. A família trabalhava com peças em couro e Mario tinha certeza que algum dia eles seriam um sucesso com a Fratelli Prada – irmãos Prada. Eles trabalhavam com bolsas, baús e peças em couro. Nessa época, as mulheres da família não trabalhavam. No entanto, o filho de Mario não demonstrou interesse pelo business e foi aí que sua filha, Luisa Prada, entrou no mercado e deu continuidade ao trabalho de seu pai por quase 20 anos. Hoje, a loja da Prada onde tudo começou é ponto turístico em Milão.

No final dos anos 1970, Miuccia conheceu o marido. Como todo romance digno de uma celebridade, eles se conheceram se odiando, pois Luiggi Bianchi copiava as bolsas dela. Não demorou para que se apaixonassem, casassem e tivessem dois filhos: Lorenzo e Julio – ambos nomes que homenageiam mestres da arte de Florença. É nítido que a arte está presente em todas as peças das coleções.

Seus pais eram severos e ela foi criada com muita disciplina. Inesperadamente se inscreveu em um curso de mímica, que frequentou por 6 anos. Miuccia Prada se juntou à empresa da família em 1970, assumindo a mesma posição de sua mãe, em 1978, aos 20 anos. Uma mulher antenada e à frente do seu tempo, Miuccia não gosta de falar do passado. Seu foco é no futuro. “Aparecer no jornal, só nos obituários”, comentou Bruno Astuto sobre a discrição da estilista que estudou sociologia e formou em Ciências Políticas. Feminista convicta, se intitulava comunista apesar de protestar nas ruas “vestindo Yves Saint Laurent”, comentou o jornalista.

Chilhood Brasil
Em 2017, a Chilhood Brasil comemora 18 anos de existência. Criada pela Rainha Silvia da Suécia com o objetivo de proteger a infância, a organização brasileira articula projetos para tirar crianças e adolescentes de situação de risco.

Para quem não sabe, a ideia da Rainha de se firmar na causa surgiu ainda na década de 1990, quando estava visitando uma favela no Rio de Janeiro.

“Quando chegamos lá, encontramos um garotinho, que tinha 9 ou 10 anos, que me chamou para mostrar algo e, então, eu o segui. Era uma caixa. Ali era onde ele vivia sozinho! “Esta é a minha casa!”, disse ele com muito orgulho. No retorno à Suécia, o nosso voo passou por tempestades terríveis e, de repente, perguntei a mim mesma o que teria acontecido com aquele garotinho em sua caixa. Ele estava sozinho, desprotegido e veio em minha mente: ‘Realmente tenho que fazer alguma coisa”, comentou ela para o site oficial da organização.

A partir daí, a monarca criou sua fundação que, além do foco na prevenção de abuso infantil e no atendimento a crianças em situação de risco, busca conscientizar a sociedade sobre esses tópicos.

Veja quem homenageou a causa:

 

 



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