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Na última quinta-feira (12/4), foi dada a largada para a primeira semana de moda da Arábia Saudita. O evento é uma das novas oportunidades de entretenimento abertas recentemente no país ainda ultraconservador. Looks elegantes e sóbrios, com uma pegada gótica vitoriana, apareceram na passarela em conjunto a terninhos alegres em tons vibrantes, como o laranja.

Vale lembrar que a Arábia Saudita há muito tempo proibiu as mulheres, com a ajuda da polícia religiosa, de usar roupas e maquiagem reveladoras de “suas belezas”. Mas essas normas estão sendo derrubadas lentamente pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, de 32 anos de idade, nomeado em junho de 2017.

De acordo com a Reuters, a realeza está trabalhando para atualizar códigos de vestimenta rigorosos. Embora abayas ou vestes longas ainda sejam o visual padrão para as mulheres, opções mais coloridas estão surgindo – com algumas delas usando jeans por baixo. O momento é de empoderamento feminino.

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Instagram/Reprodução

Modelito de Tony Ward

Instagram/Reprodução

Vestido da label Bibisara

 

O desfile sofreu atrasos significativos devido a problemas logísticos e, por isso, só aconteceu duas semanas depois do planejado. Além disso, designers e modelos tiveram dificuldades para obter vistos de viagem e a participação do público não foi tão ativa – o que a imprensa atribui ao preço do ingresso de U$ 400 por noite.

Os primeiros vestidos desfilados eram de estilistas como Tony Ward, do Líbano, e Bibisara, do Cazaquistão. As peças repletas de feminilidade, com ênfase em lantejoulas, plumas e miçangas deslumbraram os fashionistas do país. Afinal, esse é o máximo de ousadia permitido às mulheres usarem em público. Elas estão acostumadas a vestirem apenas um manto preto, solto e comprido, conhecido como abaya.

 

KRISTY SPAROW / CONSELHO DE MODA ÁRABE

Jean Paul Gaultier foi um dos grandes designers europeus que participou do evento

 

O evento ainda contou com uma coleção exclusiva de Jean Paul Gaultier e outros designers europeus. Jacob Abrian, CEO do Conselho de Moda Árabe, empresa de Dubai responsável por organizar o desfile, afirmou que a presença de outros estilistas de alto escalão se justifica principalmente porque as princesas sauditas são as maiores colecionadoras de alta-costura do mundo.

“Decidimos realizar uma semana de moda em Riade devido à importância da Arábia Saudita para o mundo árabe e como um dos mercados mais fortes da região para a indústria fashion”, disse ele, acrescentando que a população relativamente jovem e o poder de compra são atraentes para o setor.

A marca brasileira Maison Alexandrine também esteve no evento. Ao todo, 30 looks da grife foram desfilados na passarela, entre eles, alta-costura, roupas para festa e coquetéis, um vestido de noiva e abayas.

Dvulgação

Looks da Maison Alexandrine

 

O país ainda é altamente conservador e há restrições sobre os tipos de roupas permitidos no show de Riade – sem decote, nada acima do joelho nem muito transparente. Isso sem falar que os organizadores foram os únicos autorizados a registrar o evento e as fotos precisaram passar pelos censores do governo antes de serem publicadas para a imprensa.

De acordo com a Agência de Notícias Brasil-Árabe, a participação da Maison Alexandrine surgiu depois de a marca ter promovido uma apresentação no final do ano passado na embaixada do Brasil, em Riade. A brasileira Layla Abuzaid, que mora na Arábia Saudita e trabalha para a realeza local, teria se apaixonado pelas peças e intermediado a parceria. “Elas ficaram muito impressionadas com a qualidade e a beleza das roupas”, afirmou Alexandra ao site.

Mesmo com todas as restrições, uma segunda semana de moda árabe já está marcada para outubro.

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Semana de Moda Arábia Saudita