Diane von Furstenberg fecha quase todas as lojas e demite 75% do staff

Afetada pela crise do novo coronavírus, a estilista manterá apenas a loja de Nova York e concentrará esforços no e-commerce e na China

A pandemia de Covid-19 afetou fortemente a marca homônima de Diane von Fürstenberg, que já passava por dificuldades. No início desta semana, o Business of Fashion informou que a grife norte-americana demitiu 75% do staff, de 400 pessoas, no último mês. Além disso, está fechando as portas de 18 de suas 19 lojas, mantendo apenas a de Nova York, onde funciona a sede da empresa. Apesar dos cortes, a label não encerrará as atividades, mas adotará uma nova estratégia a partir de agora.

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A crise: lojas físicas, queda nas vendas e coronavírus

Segundo o BOF, uma parcela das demissões ocorreu em maio, pelo aplicativo de videoconferências Zoom. Já neste mês, a label demitiu grande parte da equipe executiva. O portal informa que todas as lojas da marca nos Estados Unidos estão fechando, exceto a butique no Meatpacking District, em Nova York, no mesmo prédio funciona o escritório. Na França e no Reino Unido, as atividades também serão encerradas.

Apesar das mudanças alarmantes, reestruturações não são novidade para a empresa. Nos últimos anos, a marca vinha sofrendo com a queda nas vendas e a crise no varejo físico. A estocagem de produtos DVF foi reduzida em grandes redes de departamento, como Saks Fifth Avenue, Neiman Marcus e Nordstrom. A Bloomingdale’s já não trabalha mais com a marca. Um funcionário disse que vários atacadistas reclamam que os produtos não vendem bem.

Nos últimos dois anos, o número de butiques da grife diminuiu de 32 para 19, incluindo estabelecimentos internacionais e franquias. Agora, as dificuldades foram agravadas pela crise do coronavírus, que levou ao fechamento temporário de lojas e reduziu drasticamente o consumo de bens não essenciais.

A CEO Sandra Campos, segundo o BOF, deixou o cargo após a onda de demissões. Quando assumiu a função, em 2018, ela ajudou a label a oferecer produtos mais acessíveis para o público e alavancar as vendas virtuais. Holliday Hofstatter, vice-presidente de produção, também deixou a marca.

Afetada pela crise do novo coronavírus, a grife homônima de Diane von Fürstenberg demitiu 75% do staff e está fechando 18 das 19 lojas, informou o Business of Fashion no início da semana

 

A grife não encerrará as atividades, mas deixará de atuar diretamente na França e no Reino Unido. Nos EUA, a única loja que continuará aberta é a de Nova York, no mesmo prédio onde fica a sede da marca

 

Apesar das dificuldades provocadas pela pandemia, a grife já vinha enfrentando queda nas vendas e os efeitos da crise do varejo físico há anos

 

Nos últimos dois anos, a DVF reduziu de 32 para 19 o número de butiques

 

Nova estratégia

A grife de Diane tem algumas cartas na manga para manter as operações. Nos Estados Unidos, os esforços serão dedicados quase que exclusivamente ao comércio eletrônico. A partir de agora, a label concentrará as vendas físicas nos varejistas da China – mercado responsável por 38% do crescimento do setor de luxo na última década – e alguns estoquistas da Europa. Assim que reabrirem, lojas restantes da DVF entrarão em liquidação.

Andrew Stokoe, diretor financeiro da grife, descreveu as mudanças como uma “reestruturação de negócios”, de acordo com o Daily Mail. “Continuamos investindo no comércio eletrônico e na plataforma DVF.com e continuamos comprometidos em apoiar nossos clientes fiéis, além de nossa rede global de parceiros de franquia e contas de atacado”, declarou, via comunicado citado pelo tabloide.

O site Footwear News afirma que a DVF não confirmou as demissões e fechamentos, mas um porta-voz informou que a marca “está em processo de reestruturação devido à mudança no ambiente de varejo” e não poderia fazer mais comentários até a conclusão do processo. A estilista, segundo funcionários informaram ao BOF, não comentou sobre as demissões.

A partir de agora, segundo o BOF, a grife fundada por Diane von Fürstenberg adotará uma estratégia focada no e-commerce e nos varejistas da China

 

O Daily Mail diz que o diretor financeiro da grife descreve as mudanças como uma “reestruturação de negócios”. Ao Footwear News, a marca não confirmou as demissões e fechamentos de lojas, mas um porta-voz também falou em reestruturação

 

As lojas próprias da marca reabrirão quando possível e entrarão em liquidação

 

Ao BOF, funcionários disseram que a designer não comentou sobre as demissões, feitas pelo aplicativo Zoom

 

A marca

Diane von Fürstenberg nasceu na Bélgica, em 1946, e lançou a grife homônima em 1972, baseada em Nova York. Ex-esposa do príncipe Egon von Fürstenberg, ficou conhecida por criar o vestido estilo “envelope”. Em 1983, a designer vendeu a licença da empresa para a Puritan Fashion Corporations e perdeu o controle sobre a label. Em 1997, porém, recuperou a licença e relançou a marca.

A designer ainda faz parte do conselho administrativo da DVF. Ela chegou a trabalhar em conjunto com outros diretores artísticos ao longo dos últimos 20 anos. Em 2016, retomou à direção criativa de vez.

Em abril do ano passado, a estilista lançou uma linha mais jovem e acessível da marca, em parceria com a neta Talita von Furstenberg. A jovem participa de todas as etapas de criação das peças da TVF for DVF, o que ela descreve como “um processo de aprendizado, mas que realmente despertou meu amor e paixão por não apenas lançar minha primeira cápsula, mas continuar a crescer no campo do design para o futuro”.

Diane von Fürstenberg nasceu na Bélgica e lançou a própria marca no ano de 1972, em Nova York. A foto é de 1987, no ateliê da estilista

 

Desfile da marca na temporada outono 2003. Diane deixou a direção criativa da marca em 2016, mas ainda faz parte do conselho administrativo

 

Talita von Furstenberg (foto) assina a linha TVF for DVF, lançada em abril de 2019

 

Já no início deste ano, a etiqueta de Diane disponibilizou seu próprio serviço de aluguel de peças por assinatura, com taxa mensal. Porém, só vale para vestuário e não inclui calçados e acessórios.

Colaborou Hebert Madeira