Um mês após pedir orientação, coordenadora de UPA ainda não sabe protocolo para guardar corpos em contêiner

A coordenadora médica da UPA do Núcleo Bandeirante, Rejane Guedes, disse que a dúvida não foi respondida a ela pelo Iges-DF

atualizado 30/06/2020 12:40

Um mês após pedir orientação sobre como usar o contêiner adquirido para guardar corpos, em clara demonstração de que não conhecia procedimentos, a coordenadora médica da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Núcleo Bandeirante, Rejane Guedes, ainda não sabe o protocolo de utilização do novo equipamento.

Rejane disse à coluna Grande Angular que contêiner está em funcionamento, mas não soube informar como é utilizado. “Eu até tive a dúvida, mas não fui respondida pelo SEI [Sistema Eletrônico de Informações]. Passaram a demanda diretamente para a gerente e ficou sob responsabilidade dela”, afirmou.

O Metrópoles noticiou, em 30 de maio, que o Instituto de Gestão Estratégica do Distrito Federal (Iges-DF) comprou o contêiner para armazenar corpos de pessoas mortas em decorrência do novo coronavírus nas UPAs da capital. Rejane fez um memorando no qual solicitou orientação sobre a temperatura ideal para manter os corpos dentro do contêiner e o tempo máximo de permanência deles no local.

Segundo o documento ao qual o Metrópoles teve acesso, o contêiner chegou à UPA do Núcleo Bandeirante, mas atenderia todas as unidades do DF.

Com a pandemia, a UPA passou a ter 42 leitos de UTI para atender casos graves de pacientes com coronavírus. Mas, diferentemente dos hospitais, as UPAs não têm câmaras frias para armazenamento de corpos.

A coluna questionou o Iges-DF sobre o protocolo para uso do contêiner, o custo e a localização. Até a publicação desta matéria, o instituto disse que estava apurando as informações. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações.

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Em nota, o Iges-DF informou que três câmaras frias para armazenamento de corpos de vítimas da Covid-19 foram instalados, desde o final de maio, na UPA do Núcleo Bandeirante, no Hospital de Base e no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM). “Todas já entraram em operação. O investimento foi de R$ 84 mil e a locação foi feita pelo período de seis meses”, disse.

De acordo com o instituto, cada equipamento tem capacidade para 12 cadáveres. Os contêineres são revestidos internamente com aço inox. “Eles funcionam mantendo os corpos refrigerados até a retirada pela funerária”, pontuou.

“O Iges-DF ressalta que foi elaborado um protocolo sobre como deve ser usada a câmara em caso de necessidade. O documento foi divulgado e está disponível para todos os colaboradores”, afirmou.

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