Padre acusa deputada de “pecado mortal” por campanha contraceptiva

A distrital Júlia Lucy divulgou ação para mulheres da Estrutural. Religioso repudiou o chamamento e disse que DIU é "abortivo"

Hugo Barreto/MetrópolesHugo Barreto/Metrópoles

atualizado 04/10/2019 17:43

Um padre muito conhecido pela comunidade da Estrutural se engajou em campanha, no mínimo, controversa. Líder da paróquia Jesus Bom Pastor, Geraldo Gama divulgou em grupos de WhatsApp mensagem em que contrapõe à ação de política pública para a implantação de Dispositivo Intrauterino (DIU) em mulheres interessadas no método contraceptivo.

A ação foi proposta pela deputada Júlia Lucy (Novo), que vem divulgando as condições para que as mulheres, a partir de 14 anos, façam parte do projeto.

A parlamentar soltou alerta nas redes sociais informando sobre a campanha na administração local, entre quarta (02/10/2019) e esta sexta-feira (04/10/2019). O informativo trazia detalhamentos a respeito do método, da idade mínima necessária para participar e de procedimentos de inscrição. Por fim, passava a mensagem: “Participe. Você tem o direito de se planejar”.

Foi aí que, nas redes sociais, o padre Geraldo Gama conclamou a comunidade católica a repudiar o ato.

“Esclareço que o posicionamento da Igreja Católica Apostólica Romana quanto ao uso do DIU é imoral e incorre em pecado mortal, pois tem efeito anticoncepcional. Tem, também, efeito abortivo, pois quando um espermatozoide consegue fecundar o óvulo, formando um embrião, ou seja, uma pessoa humana, o DIU impede o embrião de se implantar no útero, condenando-o à morte. Por isso, é abortivo!”, destacou o religioso.

No ataque feito contra a ação da parlamentar e a contracepção, o padre ainda advertiu: “Quem coopera material ou formalmente para um aborto, seguido de seu efeito, incorre em excomunhão, conforme o Direito Canônico, Cânon 1398. Defendemos a vida!”.

Imediatamente, a deputada Júlia Lucy fez um esclarecimento, por meio de nota, sobre a função do contraceptivo. “Não é abortivo. O DIU funciona deixando o ambiente do útero incapaz de promover a fecundação, ou seja, a criação do embrião. E quando retirado não causa infertilidade”, ressaltou a distrital.

Sobre as críticas quanto ao requisito mínimo de 14 anos para colocação do dispositivo, portanto em menores de 18, a parlamentar esclareceu que o procedimento só poderá ser feito com autorização dos pais.”A prevenção da gravidez na adolescência é ainda um dos temas abordados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que traz em seu artigo 8º a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência”, citou.

A presidente do partido Novo-DF, Luiza Rodrigues, considera que Júlia Lucy fez seu papel de garantir o cumprimento da Constituição brasileira. “Compete ao Estado Brasileiro fornecer os meios para que cada pessoa exerça o livre planejamento familiar. Qualquer parlamentar tem que trabalhar para garantir essa liberdade”, afirmou.

A reportagem entrou em contato com a Arquidiocese de Brasília para ouvir o posicionamento do padre, ligou na Paróquia onde ele atua, mas até a última atualização desta postagem não houve resposta. O espaço continua aberto para manifestação.

SOBRE OS AUTORES
Lilian Tahan

Dirige desde setembro de 2015 o site de notícias Metrópoles. É formada em comunicação social pela Universidade de Brasília (UnB), com especialização em jornalismo digital e gestão de empresa de comunicação pela ISE Business School, instituição vinculada à Universidade de Navarra, na Espanha. Antes do Metrópoles, trabalhou por 12 anos no Correio Braziliense e dois anos na revista Veja Brasília. Ao longo da carreira, conquistou prestigiados prêmios de jornalismo, como Esso, Embratel, CNT, CNI, AMB, MPT, Engenho.

Manoela Alcântara

Formada em jornalismo pelo Icesp. Trabalhou na Voz do Brasil, no Jornal de Brasília e no Correio Braziliense. Ganhadora de dois prêmios Sebrae de Jornalismo Econômico, uma das vencedoras do 1º Prêmio Polícia Federal de Jornalismo, jornalista destaque da Universidade de Brasília (UnB) por três vezes consecutivas. Repórter de Política local do Metrópoles desde 2015.

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