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O clima esquentou na disputa pela presidência da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF). O candidato de oposição, Délio Lins e Silva, e a atual vice-presidente da entidade, Daniela Teixeira, reagiram à escolha de Jacques Veloso como o pré-candidato da situação. O nome do tributarista foi o mais votado em uma eleição interna, no último sábado (30/6), como revelou a Grande Angular.

Délio Lins e Silva protocolou requerimento sugerindo o desligamento do pré-candidato do cargo de secretário-geral da entidade. Daniela divulgou nota pública classificando a escolha por Veloso como uma “traição”. No texto, ela critica duramente o presidente da OAB-DF, Juliano Costa Couto.

Na solicitação, apresentada nessa quarta-feira (4/7), o pré-candidato de oposição pede que a OAB adote medidas a fim de evitar o uso político da máquina e estipule regras para acompanhar os gastos no período eleitoral. “Agimos assim para que as regras fiquem bem definidas”, afirmou Lins e Silva.

Confira a íntegra do requerimento de Délio Lins e Silva protocolado na quarta-feira (4):

Petição do candidato de oposição à atual gestão da OAB-DF, Délio Lins e Silva by Metropoles on Scribd

Veloso foi escolhido em votação secreta no último sábado (30/6) como o candidato da situação, desbancando Cleber Lopes. O resultado foi visto como uma vitória do atual mandatário da entidade sobre o ex-presidente da OAB-DF Ibaneis Rocha.

Eleita ao lado de Costa Couto em 2015, a vice-presidente Daniela Teixeira divulgou nota pública com o título “OAB-DF não é lugar para covardes”. No texto, ela faz duras críticas ao presidente e afirma que ele “não tem condições morais para representar a Ordem, muito menos para indicar como sucessor quem quer que seja”.

Daniela também anuncia não apoiar Veloso e desaprova o tributarista. “Um nome sem nenhum respeito pela advocacia feminina. Que trata a nós, advogadas, como figurantes, a ponto de defender nossa representação via escolha por laços de parentesco, sociedade e formosura. É a expressão clássica do machismo dentro da categoria, que pretende, a partir de conselheiros homens, definir qual advogada mulher poderá representá-los”, escreveu.

Veja a nota pública divulgada por Daniela Teixeira:
 OAB NÃO É LUGAR PARA COVARDES
Esperei que acabasse a “eleição interna” de nosso grupo na OAB/DF para me posicionar.
O resultado, 42 votos para Jacques, 39 para Cleber e 22 abstenções, é a prova nítida de que há uma grande divisão no que um dia foi um grupo.
Muitos talvez não tenham entendido o que aconteceu, mas agora explico, sem meias-palavras: o que se deu foi uma traição, pura e simplesmente.
Tudo começou quando o atual presidente, Juliano Costa Couto, lançou-se, no primeiro dia de mandato, em uma aventura pessoal de reeleição. Justamente o contrário do que defendemos na campanha na qual formamos a chapa vencedora.
Aventura somente abortada por conta de grave denúncia do MPF que nos colocou diante da triste circunstância de ver um presidente da OAB/DF denunciado criminalmente na Lava Jato por corrupção e, pior ainda, por obstrução de justiça.
Ainda assim, na impossibilidade de ser candidato, Juliano lançou como sucessor seu amigo e parceiro, o atual secretário-geral da entidade, Jacques Veloso. Fez isso sem consultar nenhum dos membros da diretoria, em ritmo de projeto pessoal de poder entre amigos.
Ressalto que, para mim e para a maioria dos conselheiros, o líder do grupo é Ibaneis Rocha, o presidente que profissionalizou a administração da Ordem e que garantiu espaço para as advogadas, os jovens e para as subseções.
Ibaneis, em público e no particular, sempre deixou claro que Jacques não está preparado para o cargo de presidente da OAB/DF. Por essa razão, lançou o nome do criminalista Cléber Lopes como candidato, a quem apoiei.
Mas, dado o modo como foram feitas, agora, as escolhas, repito: não irei compactuar com uma traição. O atual presidente da OAB/DF não tem condições morais para representar a Ordem, nem, muito menos, para indicar como sucessor quem quer que seja.
Principalmente um nome sem nenhum respeito pela advocacia feminina. Que trata a nós, advogadas, como figurantes, a ponto de defender nossa representação via escolha por laços de parentesco, sociedade e formosura. É a expressão clássica do machismo dentro da categoria, que pretende, a partir de conselheiros homens, definir qual advogada mulher poderá representá-los.
Não somos marionetes e não aceitamos esta tutela. Escolheremos, nós mesmas, as mulheres que de fato nos representam.
Além disso, é triste ver que as pessoas quererem usar a OAB para seus próprios benefícios.
Passo longe dessa realidade, porque tenho princípios e com eles sigo na luta pela inclusão das mulheres, dos jovens e das subseções na OAB.
Meu inconformismo contra o sistema incomoda e tem me custado caro, mas não me curvo à tentativa machista de me imputar a pecha de “difícil” e “geniosa”, tão comum àqueles que, sem argumentos, tentam calar as mulheres que insistem em ter voz.
A OAB não é lugar para covardes e gente acomodada.
Por isso, com o apoio de todos que acreditam nos meus valores e nas minhas convicções, continuarei a serviço dos princípios que devem nortear uma OAB altiva e independente.
Faço isso com desassombro, e certa de que represento as aspirações de uma maioria cansada desse jogo de cartas marcadas que tanto prejuízo tem trazido a nossa categoria.

Daniela Teixeira
Advogada

 



 


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