Defesa de ex-subsecretário do DF diz que prisão é ilegal. Nova vaquinha foi criada

Nota afirma que Eduardo Hage foi acusado sem provas de ser o articulador de suposta compra fraudulenta de testes para a Covid-19 no DF

atualizado 30/09/2020 19:56

Eduardo Hage Infectologista da SES-DF Paulo H Carvalho/Agência Brasília

A defesa do ex-subsecretário de Vigilância à Saúde do DF preso pela 2ª vez no âmbito da Operação Falso Negativo, Eduardo Hage, divulgou uma nota, nesta quarta-feira (30/9), na qual disse que a prisão preventiva é “ilegal e arbitrária”.

O documento destacou que “organizações da sociedade civil, parlamentares da bancada da Bahia [estado onde Hage nasceu, se formou e atuou na saúde pública] na Câmara Federal, pesquisadores, amigos e familiares declararam apoio incondicional ao médico sanitarista e pesquisador”.

A nota assinalou que o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) acusou Hage “sem provas, de ser o articulador de suposta compra fraudulenta de testes para a Covid-19”.

“O encarceramento de Eduardo Hage Carmo, em clara violência estatal contra o direito fundamental à liberdade, choca a comunidade da área de saúde e o ambiente universitário onde sempre atuou, e vem provocando, como é natural, seguidas manifestações de indignação e solidariedade, de entidades e personalidades, todas elas destacando a sólida e respeitável trajetória desse médico epidemiologista, ao longo de mais de 30 anos de firme atuação em prol da saúde pública em nosso país”, frisou trecho do documento.

Confira, na íntegra, a nota:

Nota da defesa de Eduardo Hage by Metropoles

 

A nota elencou as entidades que divulgaram cartas públicas de apoio ao médico, como o Conselho Nacional de Saúde (CNS), e a assinatura de 47 docentes e pesquisadores do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade da Bahia.

Um blog nomeado Juntos com Eduardo Hage reúne informações sobre quem é o médico, cartas de apoio, notas oficiais e depoimentos sobre o ex-gestor.

STJ

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Rogério Schietti Cruz indeferiu liminarmente, nessa terça-feira (29/9), um recurso da defesa do ex-subsecretário de Vigilância à Saúde contra a segunda prisão.

Sobre a negativa, a defesa disse que o advogado prepara um novo habeas corpus para restabelecimento da liberdade. O HC será protocolado no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).

Vaquinha

Uma nova vaquinha on-line arrecada dinheiro para ajudar a pagar a defesa do médico, segundo a descrição da iniciativa chamada Juntos com Eduardo Hage. Até a noite desta quarta-feira, R$ 10.810 foram doados, valor acima da meta estipulada, de R$ 10 mil.

Após a primeira prisão do ex-subsecretário, no dia 25 de agosto, amigos criaram a primeira campanha on-line para juntar dinheiro com o objetivo de custear um advogado para o médico. No total, R$ 51.760 foram reunidos no site.

0
Réus

Eduardo Hage e outras 14 pessoas, incluindo ex-gestores da Secretaria de Saúde do DF, viraram réus após a Justiça aceitar a denúncia do MPDFT.

Entre os crimes listados pelo Ministério Público, estão os de organização criminosa, inobservância nas formalidades da dispensa de licitação, fraude à licitação, fraude na entrega de uma mercadoria por outra (marca diversa) e peculato (desviar dinheiro público).

O prejuízo estimado aos cofres públicos, com atualizações monetárias e somados os danos causados pela ação do grupo, é de R$ 46 milhões. Somente com possíveis fraudes em contratos para compra de testes de Covid-19, o MPDFT calcula rombo de R$ 18 milhões ao erário.

Últimas notícias