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Um nome emblemático da Operação Caixa de Pandora voltou a movimentar a política brasiliense. Nacionalmente conhecido pela oração da propina, Júnior Brunelli anunciou filiação ao MDB nas redes sociais. Com jingle e slogan “Brunelli é justiça social e trabalho”, o político postou fotos ao lado de moradores do Sol Nascente e no Taguaparque.

Em entrevista à Grande Angular, Brunelli falou sobre o episódio que marcou sua carreira política e a respeito de seu possível retorno a Brasília após oito anos afastado da cidade e do cenário político. Usando citações da Bíblia, o ex-deputado distrital disse que perdoa e ora por seus adversários.

Veja um dos vídeos :

 

Protagonista do vídeo gravado pelo delator da Pandora, Durval Barbosa, no qual comanda uma roda de oração após receber recursos ilícitos em 2009, Brunelli se viu obrigado a renunciar ao mandato de distrital para se livrar do processo de cassação.

Apesar de ser réu no caso que investiga desvios milionários durante a gestão do ex-governador José Roberto Arruda (PR), ele foi preso por outro motivo: ficou 10 dias na cadeia, em 2012, pela Operação Hofini, suspeito de ter desviado R$ 1,7 milhão em emendas parlamentares destinadas a idosos da Associação de Assistência Social Monte das Oliveiras (AMO).

Grande Angular: O senhor embarcou nas redes sociais e anunciou a filiação ao MDB. Vem candidatura por aí?
Brunelli: Ainda não defini. Não sei se agora é o momento, tenho de conversar com a minha família – ela sofreu muito com tudo que vivemos – e com meu grupo político. Minha intenção é ajudar os candidatos do MDB, por isso me filiei à legenda. Não tenho necessidade de ser candidato, acredito poder contribuir com a cidade sem um mandato.

E a aliança com Eliana Pedrosa?
Começamos a trabalhar a fim de estruturar a campanha dela para governadora há cerca de dois anos e meio. Revisitamos todo o trabalho feito ao longo de oito anos. Mas, como lá no Podemos não achei que teria um lugar, decidi me filiar ao MDB. Sempre fomos um grupo próximo, que andava muito com o Roriz.

O senhor passou oito anos morando em São Paulo. O que fez por lá? Quando decidiu que era hora de voltar?
Advoguei, ajudei as igrejas, atuei como pastor. Voltei porque meu pai estava doente, para ajudá-lo e dar suporte. Ele faleceu e continuo por aqui.

Como foi recebido ao voltar para Brasília?
Tenho um bom contato com todo mundo. Quem teve um mandato, como eu, nunca fica de fora completamente. Não sou uma pessoa que leva a vida com ódio. Mantenho contato com todos, não guardo mágoas. A democracia permite que as pessoas tenham o seu espaço e façam o seu trabalho.

Depois do episódio da oração da propina, que o alijou da política, o senhor já rezou bastante para se livrar dessa sombra na carreira?
Sou pastor, nossa vida é orar. Esse foi um episódio extremamente maldoso. Recebi ajuda de campanha em 2006, fiz a oração por causa de problemas pessoais do Durval três anos depois, em 2009. Foram ambientes diferentes, momentos diferentes, eu estava até um pouquinho mais gordo nos vídeos da oração. Certamente alguém tentou me destruir. Não sei se consegui me desvincular dessa imagem. Mas acredito no bom trabalho que fiz para a comunidade. Tem pessoas que amam, outras odeiam, sigo a minha vida com o coração tranquilo.



 


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