CEB desiste de vender ações de hidrelétricas e aposta em privatização

A previsão era de que a alienação da participação nas geradoras de energia, entre elas Corumbá IV, rendesse R$ 675 milhões à estatal

CEB/AcervoCEB/Acervo

atualizado 28/05/2019 20:25

A Companhia Energética de Brasília (CEB) desistiu da venda de R$ 675 milhões em ações da estatal em cinco empreendimentos de geração de energia. As hidrelétricas estão em Minas Gerais, Tocantins e Goiás, e são responsáveis por parte da energia consumida pelos brasilienses. Para tentar estancar o rombo no caixa da empresa, a estratégia passou a ser outra: a alienação de participações na CEB Distribuição – braço da estatal responsável pela comercialização de energia elétrica.

A decisão foi tomada em reunião do Conselho Administrativo da CEB na última sexta-feira (24/05/2019). Aprovada em 2015 pela Câmara Legislativa (CLDF), a venda dos papéis nas geradoras de energia foi alvo de protestos de acionistas minoritários e chegou a ser suspensa pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF).

Foram questionadas, por exemplo, as razões de a estatal abrir mão de participação em negócios de geração e comercialização consolidados e lucrativos. Apesar do rombo nas contas – o último balanço da CEB aponta déficit de mais de R$ 1 bilhão –, o dinheiro arrecadado com a alienação não poderia ser utilizado para equilibrar o caixa da empresa.

A Lei nº 5.577, que autorizou a transação, estipula que o valor arrecadado só poderá ser utilizado em investimentos, pagamento de tributos e amortização de dívidas oriundas de empréstimos contraídos antes da publicação da normativa.

Os conselheiros entenderam que o negócio não aliviaria a situação crítica das contas da estatal. Foi proposta, então, a alienação do controle e a venda de participações da CEB Distribuição. A decisão será avaliada pelos acionistas da CEB Holding (conglomerado que reúne todas as estruturas administrativas da empresa pública).

Confira a ata:

Ata da reunião do Conselho Administrativo da CEB by Metropoles on Scribd

 

A decisão do Conselho de Administração segue o entendimento do Governo do Distrito Federal (GDF). No último dia 13, o governador, Ibaneis Rocha (MDB), anunciou a privatização da CEB Distribuição. A meta, de acordo com o emedebista, é vender 51% das ações da empresa. Dessa forma, o GDF passaria a ser acionista minoritário.

Dívida
Em 3 de abril, quando a CEB apresentou balanço referente a 2018, o Metrópoles noticiou que a empresa teria que reinventar sua gestão para tentar recuperar uma dívida de R$ 1 bilhão da subsidiária CEB Distribuição.

Embora o resultado da companhia em geral tenha sido positivo e alcançado o valor de R$ 89,9 milhões em 2018, a distribuidora teve comportamento distinto e apresentou prejuízo de R$ 33,7 milhões no mesmo período.

Na época, o diretor-presidente da CEB, Edison Garcia, disse que o resultado negativo tem sido frequente e precisa ser estancado. A saúde financeira da distribuidora tem demandado da holding aportes frequentes, com necessidade de venda de terrenos e aquisição de empréstimos.

O déficit bilionário foi acumulado ao longo dos anos, com negócios malsucedidos, dívidas e uma folha salarial pesada. Ainda assim, naquele mês Garcia disse que a privatização da empresa não era cogitada.

Colaborou Francisco Dutra

SOBRE OS AUTORES
Lilian Tahan

Dirige desde setembro de 2015 o site de notícias Metrópoles. É formada em comunicação social pela Universidade de Brasília (UnB), com especialização em jornalismo digital e gestão de empresa de comunicação pela ISE Business School, instituição vinculada à Universidade de Navarra, na Espanha. Antes do Metrópoles, trabalhou por 12 anos no Correio Braziliense e dois anos na revista Veja Brasília. Ao longo da carreira, conquistou prestigiados prêmios de jornalismo, como Esso, Embratel, CNT, CNI, AMB, MPT, Engenho.

Gabriella Furquim

Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), com experiência em redação, assessoria de imprensa e gestão de comunicação. Atua na área desde 2009. Integrou as equipes de reportagem e edição dos jornais Correio Braziliense e Aqui DF. Em 2014, coordenou a comunicação da Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente, Seção Defence for Children Brasil (Anced/ DCI Brasil), e do projeto internacional Red de Coaliciones Sur. De 2015 a 2017, foi assessora de imprensa do governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg.

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