Após 47 anos na fila, pioneira do DF é contemplada e se muda para casa própria

Primeira inscrição foi feita em 1973. Costureira aposentada, dona Zefi diz que, aos 79 anos de idade, "já não acreditava mais"

atualizado 04/08/2020 15:52

costureira do DF é contemplada por programa social e se muda para casa própria Rafaela Felicciano/Metrópoles

O apartamento de 56 metros quadrados em São Sebastião é a realização de um sonho que persistiu por 47 anos. Costureira, Zeferina Maria da Silva, 79, inscreveu-se pela primeira vez em um programa social para ter acesso à casa própria em 1973.

De lá pra cá, dona Zefi, como prefere ser chamada, viu milhares de pessoas serem contempladas. Enquanto isso, ela aguardava sua vez e vivia com a filha em uma quitinete alugada. O valor pago pela moradia consumia boa parte da renda mensal da costureira. Afinal, dona Zefi recebe um salário mínimo de aposentadoria pelo INSS.

“Às vezes, não sobrava nem R$ 50”, conta a aposentada. “E era tão pequeno [o apartamento] que, para uma passar, a outra tinha de sair. Mas, mesmo assim, a gente já não estava dando conta de pagar o aluguel”, afirma.

O telefone de dona Zefi tocou no último dia 16 de julho. Do outro lado da linha, uma voz informou que era dela uma das unidades do Condomínio Crixá III. A mudança aconteceu dias depois da primeira visita ao espaço que a costureira finalmente poderia chamar de casa.

“Todo ano, eles diziam que iam me chamar, e foi passando, passando… Agora que eu fiz meus 79 anos, já não acreditava mais”, revela a aposentada. “Fiquei tão feliz, mas fiquei desconfiada. Quando cheguei aqui e eles me mostraram o imóvel, fiquei encantada. Mas só acreditei que era meu quando recebi as chaves”, detalha.

Veja fotos de dona Zefi na casa nova:

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A escadaria para chegar ao apartamento no quarto andar, sem elevador, não foi vista como obstáculo. Dona Zefi conta que adora ouvir as crianças brincando. Ressalta ainda que é usuária da pista de caminhada do condomínio.

“Acho que Deus me olhava e estava preparando o que eu realmente precisava. Em outros tempos, não precisava tanto. O que eu ia fazer, com 79 anos, sem ter uma casa pra morar?”, pontua.

Dona Zefi desembarcou em Brasília aos 19 anos. Largou tudo o que tinha em Carolina (MA) e pegou carona em um avião com destino ao que seria a nova capital do país. Chegou em 1959, mas só conseguiu tirar os documentos três anos mais tarde. Antes disso, era como se não existisse para as autoridades. A costura sempre foi seu ofício e, até hoje, garante parte da renda da família.

Agosto será o primeiro mês em que dona Zefi não terá de gastar quase toda a sua aposentadoria para pagar por um teto. Mas esse não é o único motivo de comemoração. A filha, Ana Luisa Silva de Carvalho, 48, conseguiu um trabalho após anos de buscas e desemprego. “Nosso coração está aliviado, começando a sossegar”, comemora a herdeira da costureira.

Assista ao depoimento das duas:

 

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