A literatura na desordem do dia a dia

Notas-notícias pessoais sobre livros, textos e esses dias, de uns tempos pra cá, sem ordem cronológica, em meio a desejos e tempo escasso

ISTOCKISTOCK

atualizado 24/04/2019 12:47

1)Perdoem o excesso da primeira pessoa. Foi inevitável desta vez.

2) João Doerdelein, o @akapoeta, esteve na escola da minha filha. Mas eu não estava lá. Ela saiu com dois livros autografados por esse fenômeno brasiliense. E uma boa sensação de prazer cumprido. Sobre o amor, escreve João: “é o ópio do coração. é um cafuné bem feito. é encontrar um lar em outro peito”.

3) O britânico Ian McEwan está de romance novo, Machines Like Me. Ganhou elogios no The Guardian. McEwan é ídolo.

4) Tenho vontade de ler Escrever Ficção – Um Manual de Criação Literária, do gaúcho Luiz Antonio de Assis Brasil, que acaba de sair e ganhou bastante destaque na imprensa. O professor de escrita merece.

5) O baiano-brasiliense Lima Trindade lança o romance As Margens do Paraíso, no qual volta aos primórdios da capital. Não posso estar lá, na noite de autógrafos ou na alvorada da cidade.

6) Encontro Alessandra Roscoe no mercado. Ela é autora de adoráveis livros infantis.

7) Leio os contos de Sérgio Sant’Anna publicados nas revistas Granta e Época. Escrevi (faz tempo) uma dissertação de mestrado sobre a obra de Sérgio Sant’Anna. Leio tudo de Sérgio Sant’Anna, exceto o seu Facebook.

8) Estou tentando continuar e terminar de ler Os Amantes, de Amitava Kumar. Até agora (página 100), muito bom. A história de um indiano em conflito erótico e político com a cultura norte-americana, narrada com bom humor e pimenta.

9) Confiro a programação prevista para a 35a Feira do Livro de Brasília, a ser realizada este ano na Biblioteca Nacional, de 6 a 16 de junho. Minhas meninas vão gostar de saber que Arnaldo Antunes vem. Elas acham ele sensacional.

10) Termino de ler o roteiro de um amigo. Ainda não li o roteiro de outro amigo. Estou em falta (1).

11) O terceiro amigo me manda um conto por email. Em falta (2), por enquanto.

12) O quarto amigo (sumido faz tempo) me envia de longe dois arquivos com livros de poesia. Quer opinião, também inédita.

13) Estou me sentindo o próprio Roberto Carlos, com esse montão de amigos. Que bom. Aproveito a vibe e compro ingresso para o show do Fábio Jr. no Dia das Mães.

14) Aguardo que o quinto amigo me entregue deliciosa encomenda trazida de Lisboa: Viagem ao Sonho Americano, de Isabel Lucas. A jornalista portuguesa esteve na Universidade de Brasília no ano passado. O livro percorre lugares reais onde vivem ou viveram escritores e personagens do melhor da literatura norte-americana.

15) Por e-mail, uma amiga me faz recordar, em poemas, o amor de Ligia Cademartori pela literatura. Faz falta.

16) Compro, numa melancólica Livraria Cultura, o romance Elegia ao Irmão, de João Anzanello Carrascoza. Na pilha.

17) A nova temporada de Bosch, no Prime Video, me tira da rua. Sou um espectador assassinado em série, graças a Michael Connelly.

18) Na promoção, compro o DVD de Versos de Um Crime, filme sobre o poeta Allen Ginsberg. Constatação: alguém que ainda compra DVDs.

19) Cadê você, Nicolas Behr?

20) Ouço João Moreira Salles exaltar o bom jornalismo e explicar sua tese sobre o documentário cinematográfico em anfiteatro da UnB. Os estudantes estão atentos. E isso é excelente.

21) Suspendo temporariamente minha conta no Audible.com. Mas recomendo a todos que gostam de escutar literatura.

22) Recebo, por correio, exemplares de Le Figaro Littéraire. O livro e a literatura parecem ir bem direitinho na França, obrigado.

23) Paro os olhos no meu exemplar de assinante do Rascunho, o jornal de literatura brasileira comandado com afeto e dedicação por Rogério Pereira, lá de Curitiba, desde o ano 2000.

24) Não tenho coragem de comprar os periódicos literários à disposição em algumas boas e poucas bancas da cidade (ali na 103 Sul, por exemplo). The New York Review of Books, London Review of Books e The Literary Review. Os preços, abusivos.

25) Verifico a data de anúncio (21 de maio) do vencedor do Booker Prize International, dado a romances traduzidos para o inglês. Da “lista longa”, constavam três latino-americanos: o colombiano Juan Gabriel Vásquez, a argentina Samanta Schweblin e a chilena Alia Trabucco Zerán. Vásquez e Zerán continuam na disputa. Nenhum brasileiro.

26) Por onde tu andas, Marcelo Mirisola?

27) Sou alertado para o retorno (recente e eterno) de clássicos do século 20. Além do Vonnegut comentado aqui há duas semanas (Matadouro-Cinco), há novas edições de Grande Sertão: Veredas (Guimarães Rosa), O Jogo da Amarelinha (Julio Cortázar) e Crime e Castigo (Dostoiévski). Já anunciada também a reedição de O Apanhador no Campo de Centeio (Salinger).

28) Ouço a viola caipira de Roberto Corrêa na playlist @unbsualinda. Entro no cerrado.

29) Ainda sinto um pouco de vergonha da primeira pessoa.

30) À leitura, por fim.

SOBRE O AUTOR
Sérgio de Sá

Doutor em estudos literários e autor do livro A Reinvenção do Escritor, o jornalista brasiliense Sérgio de Sá é professor na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB). Escreve sobre livros e literatura há mais de 20 anos.

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