Seguradora lança APP para bloquear ligação de celular no trânsito

O aplicativo da Líder, responsável pelo DPVAT, é ativado quando o motorista entra no carro e ‘responde’ automaticamente qualquer chamada

Foto: Pedro França/Agência SenadoFoto: Pedro França/Agência Senado

atualizado 10/10/2019 11:23

A Seguradora Líder, responsável pela gestão do DPVAT, o seguro obrigatório por danos pessoais causados por veículos, acaba de apresentar o aplicativo Modo Trânsito (apenas para smartphones com Android). A razão é nobre: reduzir o excesso do uso do aparelho nas rodovias, enquanto se dirige, minimizando as distrações muitas vezes fatais.

E o APP não barra apenas as ligações: você cria uma mensagem personalizada e ele ignora até a praga do WhatsApp. O recado padrão é “Estou dirigindo. Para garantir a minha segurança e a de todos, respondo em breve”. O mesmo vale para SMS. 

Assim, você nem precisa estacionar – ou bater no carro da frente, levar uma multa, ser xingado por esquecer de acionar a seta etc. E ele ainda compartilha a localização em que você estava no momento em que recebeu a mensagem ou ligação (ainda há quem se irrite por não ser atendido imediatamente, não é?). Mas isso se você quiser configurá-lo assim, claro. 

Para fazer o download, basta clicar aqui.

Pesquisa do Ministério da Saúde, feita no ano passado com 52 mil pessoas, mostra que 20% delas admitem usar o celular ao volante – prática que, segundo o Denatran, pode aumentar o risco de acidentes em até 400%. E é infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na carteira.


A montadora norte-americana Ford fez um estudo interessante para o motorista compreender o que ela chama de ‘direção distraída’ (mental, visual e manual). Confira:

 

Direção distraída 
Geralmente, se enquadra em três categorias: mental, visual e manual.

Distração mental
Pode ser qualquer atividade que tire a mente do motorista da pista, desde conversar com passageiros até se perder no pensamento enquanto ouve uma música no rádio.

Distração visual
Ocorre quando o motorista desvia o foco da estrada para se fixar em outra coisa, como olhar o telefone, supervisionar os filhos ou observar algo que ocorre fora do veículo.

Distração manual
É quando o motorista tira uma ou as duas mãos do volante por qualquer motivo. Como, por exemplo, para se pentear, ajustar o GPS ou buscar algo na bolsa ou no porta-luvas.

Situações comuns
As mensagens de texto, por combinar os três tipos de distração, são particularmente perigosas e podem mais que dobrar a chance de ocorrer um acidente. Porém, há outros tipos de distração mais frequentes que os motoristas provavelmente nem percebem. Os principais são:

Sonhar acordado
Acredite ou não, sonhar acordado é realmente a forma mais comum de distração e também uma das mais perigosas. Um estudo nos EUA descobriu que, de todos os acidentes atribuídos à direção distraída, 62% foram causados ​​por devaneios – cinco vezes mais que os causados ​​por conversas ou mensagens de texto no celular.

Comer ou beber
Quando alguém come ou bebe ao dirigir, combina os três tipos de distração e aumenta em até 80% as chances de sofrer um acidente. Com o risco adicional de derramar bebida no colo, não vale a pena arriscar.

Estar com raiva ou triste
Dirigir em estado emocional alterado pode aumentar em quase 10 vezes a chance de sofrer um acidente. Relaxar, adiar a saída ou optar por outros meios de transporte são alternativas.


O que é DPVAT

Foi criado em 1974 para cobrir casos de morte, invalidez permanente ou despesas com assistências médica e suplementares por lesões de menor gravidade causadas por acidentes de trânsito em todo o país. 

É anual e obrigatório para todos os proprietários de veículos – e deve ser pago junto com o IPVA. Sem ele, o motorista nem consegue receber o licenciamento do veículo. 

Do dinheiro arrecadado pelo DPVAT, 45% vão para o SUS; 5% para o Denatran; e 50% para pagar sinistros.

Vítimas e herdeiros (no caso de morte) podem recorrer até 3 anos depois do acidente para receber o seguro. Mais informações, no 0800-022-1204.

 

SOBRE O AUTOR
Renato Ferraz

Pernambucano e jornalista desde 1988. Trabalhou em veículos como Diário de Pernambuco, no Recife; revista Veja, em Belo Horizonte; Correio Braziliense, em Brasília. Tem duas pós-graduações: uma pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais/Universidad de Navarra e outra pelo Centro Universitário de Brasília (UniCeub). Cobre o setor automobilístico há 15 anos.

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