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Prêmios são, sempre, um cartão de visita para qualquer obra e não é apenas na literatura. Pense quantas vezes você já foi ao cinema para ver um filme apenas porque ele tinha ganhado um Oscar. Além do prêmio em si, o laureado ganha uma marca de distinção, uma espécie de atestado de qualidade. O leitor/espectador ganha uma referência na hora de escolher o que ler ou ver. E isso é bastante útil.

Muita gente, porém, contesta os prêmios – do Oscar ao prêmio da redação do colégio. As principais queixas são em relação aos critérios de avaliação e, especialmente, em relação aos jurados. Quem garante que os jurados leram todas as obras concorrentes? Quem garante que aqueles são os melhores jurados para fazer essa avaliação? Quem garante que algum jurado não tenha beneficiado algum concorrente?

Na verdade, a seleção dos jurados já é, em si, uma eleição. E quem faz essa eleição? Ora, os organizadores do prêmio. E, daqui surge mais uma série de perguntas: há isenção por parte dos organizadores? Há interesse em premiar esse ou aquele artista? E quando o prêmio é privado, existiria alguma obrigação em seguir regras específicas? Não necessariamente.

Mas os prêmios existem, são importantes e são úteis, tanto como forma de recompensa de bons trabalhos, como forma de viabilizar artistas e como guia para os leitores/espectadores. Não existe solução para esse problema"

A única forma de definir quais prêmios merecem ser levados em consideração – quando e se, você for levar isso em consideração na hora de consumir uma obra – é o grau de credibilidade que o próprio prêmio busca. Isso pode ser medido pela clareza dos editais, pelo histórico dos jurados, pela seriedade em relação a prazos e, é claro, pelo valor monetário das premiações.

A longevidade do prêmio conta bastante também. Quanto mais tempo perdurar, em geral, mais sério e confiável. É razoável supor que, quanto mais alta a premiação, melhor é a remuneração dos jurados e, portanto, seu grau de expertise e de dedicação ao prêmio. Não é raro bons prêmios terem custos mais altos com jurados do que com a premiação em si. Nesses casos, a remuneração dos jurados e a logística da avaliação não são baratas.

Na literatura, além da tradicional divisão em gêneros: romance, conto, poesia, etc, há, basicamente, três tipos de prêmios: i) para obras já publicadas, ii) para obras inéditas, e iii) para projetos de criação. De todos, os mais subjetivos são os de projetos de criação, cujos prêmios visam garantir a pesquisa, elaboração e publicação de obras em andamento o a serem elaboradas.

Geralmente envolvem artistas que já possuem um histórico, já que esse histórico é um dos elementos avaliados nos editais. Dificilmente um artista iniciante consegue um prêmio de criação. Já nos prêmios para obras inéditas e para obras publicadas, isso é menos incomum.

Na literatura universal, o prêmio mais cobiçado é, obviamente, o Prêmio Nobel, mas, neste caso, o prêmio não se refere a uma obra específica, mas ao conjunto da obra. É concedido desde 1901. Também pelo conjunto da obra, mas para escritores em língua portuguesa, os governos de Brasil e Portugal conceberam o Prêmio Camões, existente desde 1988 e já concedido, por exemplo, a João Cabral de Melo Neto, José Saramago e Jorge Amado.

A Academia Brasileira de Letras também tem um prêmio pelo conjunto da obra, o Prêmio Machado de Assis, que é concedido desde 1941, para escritores brasileiros. Guimarães Rosa, Gilberto Freyre e Cecília Meirelles aparecem entre os laureados.

No Brasil, o prêmio para obra específica mais tradicional é o Jabuti (na foto acima). Com quase 60 anos de existência, é concedido desde 1959, quando Jorge Amado ganhou na categoria Melhor Romance, com “Gabriela, Cravo e Canela”. O prêmio é coordenado pela Câmara Brasileira do Livro. O Prêmio da Biblioteca Nacional, com mais de 20 anos, também é bastante tradicional, sendo concedido, desde 1994, em oito categorias.

No âmbito privado, o prêmio mais cobiçado é o Oceanos, sucessor do Portugal Telecom. Concedido desde 2003, o prêmio mudou de nome em 2015, já que a empresa portuguesa deixou de existir e a premiação passou a ser patrocinada pelo Itaú Cultural. Atualmente, o prêmio não tem divisão por categorias e contempla as três melhores obras, independentemente do gênero.

Outro importante prêmio é o Sesc Literatura, concedido desde 2004, em categoria única e, a partir de 2006, nas categorias Romance e Conto. Nesse caso, o prêmio é concedido para títulos inéditos, que são submetidos à avaliação dos jurados sob o anonimato de pseudônimos. Os vencedores têm suas obras publicadas por uma grande editora e, claro, recebem o atestado de qualidade para sua obra inédita, avaliada no escuro.

Alguns estados têm prêmios que estão se tornando tradicionais. O Prêmio Minas Gerais de Literatura existe desde 2007, na categoria conjunto da obra, mas apenas a partir de 2008 começou a ser concedido a obras específicas nos gêneros ficção, poesia e local. Nesse caso, o prêmio seleciona obras inéditas. Já o Prêmio São Paulo de Literatura, que existe desde 2008, e tem premiação total de R$ 400 mil, tem três categorias e é concedido a obras publicadas no ano anterior.

O Prêmio Paraná de Literatura, para obras inéditas, foi criado em 2012 e gerou grande expectativa, mas foi descontinuado a partir de 2015. Vários estados, têm programas de incentivos locais, como os editais do Fundo de Amparo à Cultura, o FAC-DF, que funcionam como prêmios de projeto de criação, para viabilizar obras em andamento.

Muitas vezes, em prêmios muito concorridos, até mesmo receber a Menção Honrosa já é um indicativo de qualidade literária. Há vários exemplos, inclusive, de obras que receberam apenas menção honrosa tiveram mais sucesso editorial do que as grandes vencedoras. E o debate é retomado, se os prêmios são justos, se os jurados são isentos, etc, etc.

Confira também os próximos eventos literários do DF:

6/9, terça-feira – 20h – Lançamento da Antologia “Poesia Nua”, no Senhoritas Café, 408 Norte – o coletivo de 15 poetas que posaram nus para um calendário, lança a coletânea no Sarau erótico, marcado para o Dia do Sexo. O projeto é coordenado pela poetisa Marina Mara. No Sarau, haverá também a venda de produtos sensuais.

9/9, sexta-feira – às 20h – Estreia do espetáculo “Poesia, Cordel e Cantoria”, com os repentistas João Santana e Valdenor de Almeida. dentro do Projeto Poesia em Voz Alta: arte, reflexão e emoção, na Associação Nacional de Escritores (707/907 Sul, Bloco F). Haverá sessões também nos dias 12, 13, 14 e 16/09, às 15h.

17 e 18/09, sábado e domingo, das 15h às 21h – Feira de Literatura Independente, no Ernesto Café, 115 Sul. Vários autores, incluindo o colunista aqui, no sábado.

23/09, sexta-feira – às 20h – Estreia do espetáculo “Poesia, memória e resistência”, com a escritora e atriz Cristiane Sobral, dentro do Projeto Poesia em Voz Alta: arte, reflexão e emoção, na Associação Nacional de Escritores (707/907 Sul, Bloco F). Haverá sessões também nos dias 26, 27, 28, e 30/09, às 15h

Kamikaze

Agora sou poeta de fato

e poeta encarnado que sou

desacato a palavra

em nome do ato.

Desencarno o sentimento

em busca do meu momento

mitificando o vazio

do oco da vida que está por um fio.

Wélcio de Toledo, Poemas, Visões e Outras Viagens (2012)



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