Tecnologia 8D que está fazendo sucesso nos permite “sentir” a música. Teste

De efeito hipnótico, o áudio imersivo não é novidade. Ele existe desde os anos 1980 e já foi aderido pela banda de rock Pink Floyd

atualizado 29/11/2020 8:25

mulher escutando música Pexels

Você já ouviu alguma música em áudio 8D? Parece novidade, não é mesmo? Mas a tecnologia existe desde os anos 1980 e já foi aderida pela banda de rock Pink Floyd. O conceito nada mais é do que uma técnica multidimensional que reproduz o som em um formato além do plano linear, fazendo com que o ouvinte tenha uma experiência de imersão na música.

Atualmente, o item integrou um vídeo que “bombou” no WhatsApp produzido pelo grupo musical Pentatonix, que lançou uma versão de imersão da famosa canção Hallelujah. Jogos de realidade virtual e vídeos em 360 graus também contam com a tecnologia.

A coluna explica:

O áudio 8D é uma forma de imitar a realidade, tornando possível que a pessoa sinta a música. Para isso, são necessárias técnicas de edição e efeitos que causam a sensação de que os sons estão vindo de diferentes direções. A mixagem é feita na gravação de origem.

Nome por trás dessa experiência, o engenheiro argentino Hugo Zuccarelli criou um projeto acústico, na década de 1980, que trabalha na espacialização do som. Nosso cérebro é o órgão que processa a captação dessas ondas auditivas. Muitos que testaram a prática relatam que ela se parece com algo “hipnótico”.

Em 1983, a banda Pink Floyd inaugurou a técnica com o álbum The Final Cut. Recentemente, a cantora americana Billie Eilish apostou na tecnologia de uma forma mais evoluída para produzir músicas em 24D.

Como funciona

Diferentemente do que acontece no estéreo (que utiliza um microfone para o canal esquerdo e um para o direito), o áudio 8D é produzido com o auxílio de uma cabeça artificial que conta com dois microfones instalados com 18 centímetros de distância um do outro. O processo consiste em transmitir o som dos ouvidos ao crânio.

Para experimentar, utilize fones de ouvido comuns, que servem para isolar o som.

Ouça, a seguir, o hit de Billie Eilish:

Agora, assista ao vídeo da banda Pentatonix que viralizou no WhatsApp:

Opinião de expecialista

Em conversa com a coluna, o produtor musical Jorge Salomão explicou que, com o avanço da tecnologia, a facilidade para se criar, hoje, um ambiente com diferentes dimensões de áudio é muito maior. “Praticamente todos os estúdios referência trabalham com mais de 90% dos equipamentos digitais. Quase tudo é processado digitalmente, e isso tem se tornado cada vez mais acessível”, contou.

Segundo o profissional, os gastos para mixar faixas musicais com boa qualidade são cada dia mais baixos. “O áudio 8D é criado por meio da mixagem depois de uma captação específica. Eu acredito que, em pouco tempo, teremos essa ‘novidade’ como uma constante em algumas plataformas”, afirmou.

Jorge Salomão
Jorge Salomão é produtor musical e empresário brasiliense

No vídeo a seguir, confira a experiência com a dupla Daft Punk:

Agora, veja a canção da banda Pearl Jam:

A icônica Shape Of You, de Ed Sheeran, também ganhou uma versão imersiva:

Experimente com Believer, da banda americana Imagine Dragons:

Agora, faça o teste com esse sucesso de Queen:

O que diz a ciência?

Ainda não se sabe quais efeitos o áudio 8D gera em nosso corpo, mas alguns ouvintes revelaram na internet que aproveitam a tecnologia para relaxar. Outros afirmam que a ferramenta ajuda a adormecer. Uma parcela garantiu que gera alívio físico. “Eu sofro de zumbido, e isso é uma bênção para minha audição. Meu zumbido desaparece de alguma forma. Não pare de fazer isso!”, escreveu um internauta no Youtube.

De acordo com o site americano Mel Magazine, a música 8D envolve dois conceitos voltados ao autocuidado: ASMR e batidas binaurais. O primeiro fenômeno é lembrado como um “orgasmo na cabeça”, definido como uma sensação de calor e formigamento que percorre o corpo no momento em que se escuta o som. Já a segunda ideia cria uma ilusão auditiva que passa a impressão de relaxamento, concentração ou sono.

Portanto, os estudos ainda são modestos, mas já entendem que os batimentos binaurais podem afetar nosso cérebro de alguma forma.

Relaxe com esse som 8D:

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