Hábito de gigantes! Fernanda Gonzaga ensina a incluir mais livros na vida

A brasiliense é autora de Até Onde vai a Rima e já leu 97 obras literárias apenas este ano. Descubra o segredo!

atualizado 29/10/2020 11:37

Fernanda Gonzaga Imagem cedida ao Metrópoles

Nos últimos sete dias, Brasília comemorou a III Semana Nacional do Livro e da Biblioteca. Devido às condições impostas pela pandemia de coronavírus, o evento ganhou formato on-line em 2020, como iniciativa da Secretaria de Estado de Educação (SEEDF) e do Governo do Distrito Federal (GDF), em parceria com a Companhia das Letras.

O projeto, que faz parte do calendário escolar da Secretaria de Educação desde 2018, também serviu de inspiração para a coluna Claudia Meireles. Em uma data tão significativa, ressaltamos a importância da leitura na vida dos cidadãos. Para isso, conversamos com a escritora e advogada Fernanda Gonzaga, autora da obra literária Até Onde vai a Rima, lançada no ano passado.

Primeiras leituras

A paixão de Fernanda pelos livros começa na época da escola. “Quando estudava no Galois, eu tive uma professora de redação que exerceu imensa influência na forma como eu passei a ver os livros. Ela falava com uma paixão de Machado de Assis que me foi contagiante e, então, eu comecei a querer sentir o que ela sentia e ter esse entusiasmo com a leitura e com autores”, revela.

A jovem de 26 anos é filha do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral Admar Gonzaga Neto e da advogada Sônia Gontijo, e irmã do ator de Hollywood Henry Zaga. Prodígio, ela já concluiu um mestrado em Direito Internacional pela Frei Universität Berlin, na Alemanha. Em julho do ano passado, lançou seu primeiro livro: Até onde vai a Rima.

Livro Até onde vai a Rima
Para comprar, entre em contato pelo direct no Instagram @fernandagonzaga

A obra é uma coletânea de aproximadamente 120 poemas de autoria própria dispostos aletoriamente, sem ordem cronológica ou tema. “Isso foi algo que eu fiz muita questão, justamente para usar da minha ‘licença poética’ e provocar o leitor em rimas feitas dos 13 aos 25 anos”, justifica.

Quanto à experiência de publicar a própria obra literária, Fernanda garante que é algo que deseja para todo mundo. “Foi um dos dias mais lindos e especiais da minha vida até agora”, fala a advogada.

Segundo a escritora, o processo teve início um ano antes do lançamento, quando ela começou a enviar e-mails para algumas editoras, à espera que algumas delas manifestasse interesse. O otimismo valeu a pena. Todos os selos procurados quiseram publicar as poesias. “Isso me fez acreditar mais que era algo que eu realmente deveria fazer. Nem sorte nem acaso, Deus, não é?”, celebra Fernanda, com a convicção de que, tendo iniciado as poesias aos 13 anos, possuia um material digno de impressão. A empresa escolhida foi a editora Chiado.

Fernanda Gonzaga
Aos 26 anos, Fernanda é advogada, mestre em Direito Internacional e escritora

O gênero favorito de Fernanda Gonzaga é poesia, e a língua é a portuguesa, apesar de também falar inglês, espanhol e alemão. A admiração pelo dialeto é destacada pela advogada, seja pelo “português de Moçambique, com o nosso grande Mia Couto, seja o português do velho mundo, com o incrível Valter Hugo Mãe, e principalmente o nosso, com incontáveis autores e autoras”.

A entrevistada confessa que lê todos os dias e segmenta a prática para um melhor aproveitamento: “Um pouco de manhã, ao acordar, tomando um café com leite. Também leio de noite. São raros os dias que eu passo sem ler, me sinto ‘nua'”, compartilha.

livros
Leituras de Fernanda Gonzaga

Nessa terça-feira (27/10), a leitora assídua terminou a 97ª obra lida este ano. E detalhe: a média de página das obras é de 200 a 250. Nada mal! Apesar de um instinto a fazer buscar pelo centésimo livro para 2020, para Fernanda, o que importa é a qualidade e não a quantidade. “O importante é ler, é fazer da leitura um hábito, seja lendo três ou cinco páginas por dia, seja lendo 50”, diz.

Aos leitores do Metrópoles, a escritora desafia: “Não tenha pressa, não fique se comparando, ainda mais se você não tem esse hábito. É igual quando éramos crianças, aposto que você não gostava e não entendia o motivo de tomar banho todo dia, ou escovar os dentes… Era uma chatice, não era? Pois então, hoje aposto que é algo que você não consegue ir dormir sem ter feito ao menos uma vez. A mesma coisa com a leitura”, instiga.

“Quando esse mosquitinho dos livros te pica, você fica ansioso para viajar, só pensando no tanto que vai ler no avião, a livraria passa a ser o seu lugar favorito do shopping e, acredite ou não, mas existe algo chamado ‘ressaca literária’… Não vou explicar o que é, é necessário viver para saber”, acrescenta.

Sugestões de livros

Fernanda Gonzaga indica alguns títulos que julga serem ótimas “iscas” para atrair futuros leitores.  “Se você se interessa por contos, eu sugiro a obra Um Dia Ainda Vamos Rir de Tudo Isso, da Ruth Manus. Se sua pegada é poesia, te indico o livro Toda Poesia, do Paulo Leminski. Se tem interesse em uma ficção psicológica, Sérgio Y vai à América, de Alexandre Vidal Porto”, recomenda.

“Para quem quer começar e não sabe por onde, Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios, de Marçal Aquino, ou O Alienista, de Machado de Assis, aliás, a versão da Editora Antofágica tem gravuras originais de Cândido Portinari feitas especialmente para esta obra”, completa.

Um Dia Ainda Vamos Rir de Tudo Isso, de Ruth Manus
Um Dia Ainda Vamos Rir de Tudo Isso, de Ruth Manus
Como publicar o próprio livro?

Fernanda já passou da fase “mãe de primeira viagem”, ou seja, tem know-how e muitas dicas para ensinar. O primeiro passo, de acordo com a escritora, é acreditar no que você tem a dizer. “Escreva um livro que seria algo que você gostaria de ler, sem se preocupar com o que vão achar ou se vai vender ou não. Acredito que só a entrega desinteressada seja verdadeira”, frisa.

“O livro fechado é uma história. Aberto, são todas”

Autor desconhecido

Outra chave para a realização é tornar a escrita um hábito. “Escreva sempre. Nem todo dia vai fluir como desejas, mas o importante é começar de algum lugar”, afirma.

Fernanda Gonzaga
Fernanda Gonzaga

Por fim, a jovem divide algo que aprendeu com um antigo professor: “Para cada página que fores escrever, tens que ter lido 100”. Ou seja, é lendo que se escreve!

Como tornar a prática da leitura uma boa experiência?
  • Leia livros cuja temática/gênero lhe interesse;
  • Arrume um cantinho gostoso para ler e torne esse momento especial, seja com um chá, com um café;
  • Coloque uma meta bem alcançável para a sua rotina, mesmo que sejam só três páginas. De três em três se chega longe;
  • Tenha sempre um livro na bolsa/pasta. São nos momentos de tédio na fila do banco ou esperando uma consulta que você pode ler a sua cota do dia;
  • Procure redes sociais que falem sobre livro (Fernanda, no caso, criou o perfil @booksbyfg no Instagram para mostrar o que lê e compartilhar resenhas);
  • Se livros grandes te assustam, comece pelos pequenos;
  • Nenhum livro no início vai ser apaixonante. Espere até a página 30 ou 40. Prometo que ele vai te viciar;
  • Não leia deitado, pois vai te dar sono. Em vez disso, procure ler sentado.

Hoje, a advogada não possui metas, mas assegura que, inicialmente, se forçava a ler até pegar gosto pela atividade. “Preparava um ambiente todo gostoso para a leitura, fazia um chá, arrumava um cantinho da casa (rede, sofá ou uma poltrona gostosa), levava somente o livro (nada de celular) e me desafiava a ler até o próximo capítulo”, entrega.

Para saber mais, siga o perfil da coluna no Instagram.

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