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Havia, em uma aldeia na Índia, um guru muito sábio que tinha o dom de adivinhar o futuro. Cansado de ser insistentemente procurado por todos os moradores da região e arredores que ansiavam por saberem seus destinos, o sábio se escondeu na floresta para não mais ser incomodado.

Certa vez, dois jovens, que já não mais se lembravam do guru, foram se aventurar e caçar na floresta. Caçaram tanto que caiu a noite e eles se perderam. Após andarem sem rumo e já bem cansados, enfim encontraram um casebre onde poderiam pedir ajuda.

Bateram na porta e, para surpresa deles, quem morava ali era o sábio que, fazendo jus ao dever de hospitalidade dos povos indianos, os acolheu, lhes deu abrigo, comida e um canto para dormir. Amanheceu e, ao se prepararem para partir, os jovens pensaram que podiam aproveitar a oportunidade e perguntar para o guru sobre o futuro deles.

O guru resistiu ao máximo e repetiu que o futuro não é exatamente como eles pensavam. Eles insistiram e, então, o sábio cedeu e falou para o primeiro: “Em um ano você se tornará um rei poderoso” e para o segundo disse: “e você em um ano estará morto”.

Os jovens saíram de lá impactados. O primeiro, por ser de uma família muito pobre, jamais imaginou ser rei. E o outro, jamais imaginaria que morreria tão cedo. Como não duvidavam do sábio que já tinha acertado muitas e muitas adivinhações, tomaram aquilo como verdade absoluta.

Voltaram para casa já se preparando. Um fazendo planos para seu governo, e o outro para seu último ano de vida. A partir daquele dia, o jovem que seria rei começou a se comportar como se já o fosse. Passou a dar ordens, fazer promessas arrogantes e se tornou arbitrário, autoritário, orgulhoso, vaidoso e cheio de empáfia.

O outro jovem, que morreria em um ano, começou a considerar que cada dia seria um a menos e, portanto, deveria ser muito bem vivido e muito consciente. Cada ato, palavra, gesto e pensamento foi, a partir daquele dia, cuidadosamente escolhido de tal forma que ele poderia, no momento necessário, estar “quites” com a vida. Ele passou a ser exemplar.

Passaram-se meses e não aconteceu absolutamente nada. Passou mais de um ano e nem o primeiro jovem se tornou rei, nem o segundo faleceu. Eles passaram a ficar impacientes e encabulados e decidiram ir tirar satisfações com o sábio. No caminho entre a aldeia e a floresta, surpreendem-se com um saco lotado de moedas de ouro debaixo de uma árvore.

 

O primeiro jovem pegou o ouro e disse: “Olha, esse deve ser o primeiro indício do meu reinado. A minha sorte esta mudando”. O outro ficou afastado, pois não faria sentido pegá-las. Os jovens foram surpreendidos pelo bandido que havia roubado as moedas e, ao vê-las indo embora, atacou o primeiro com intuito de matar. O segundo se aproximou e lutou com o bandido ate conseguir colocá-lo para correr, apesar de sofrer um leve corte no braço.

Continuaram caminhando até encontrar o casebre do sábio. Ao lá chegar, disseram que precisavam falar com ele, pois achavam que ele havia se enganado em relação ao futuro deles. O sábio disse não ter se enganado. Falou que eles haviam o compreendido mal e que não haviam entendido direito: “Eu falei para vocês que o futuro não é rígido e inflexível da maneira como vocês pensam. Ele é construído a cada momento”.

E ao primeiro jovem falou: “Você tinha um bom karma que lhe garantia um posto de rei, mas se tornou tão arrogante, petulante e temerário, que seu bom karma se reduziu a um saco de moedas”. Ao segundo falou: “Você tinha um mau karma para morrer jovem, mas se tornou tão prudente, sábio e virtuoso que seu mau karma se redimiu e atenuou apenas a essa ferida no braço”.

Concluindo-se, assim, que nenhum destino está traçado em definitivo. E você? Acredita em destino ou como o sábio, acredita que o futuro pode ser mudado?

*Fonte: Nova Acrópole

 

 



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