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Imagine um comprimido que tire totalmente sua fome e te deixe à “prova de bala”, capaz de fazer todas as tarefas do dia a dia de forma produtiva, sem sono, com uma euforia sem igual. De quebra, uma capacidade de concentração potencializada e o raciocínio tinindo.

Essa droga existe, é legal e, infelizmente, o uso dela é muito mais comum do que você imagina.

Com os nomes de Venvanse e Adderall, entre outros, esses remédios à base de anfetamina – drogas sintéticas que estimulam o sistema nervoso central – são prescritos para pessoas diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Virou febre em países como EUA e Brasil.

Estudantes que buscam melhores notas relatam progresso abissal no desempenho em escolas e faculdades. Trabalhadores veem sua produtividade se elevar à máxima potência. Pessoas acima do peso conseguem perdas significativas sem esforço. Crianças (sim, crianças) são diagnosticadas com TDAH e começam a tomar essas substâncias desde pequenas.

Soldados fazem uso para melhorar o rendimento em guerras e quase toda a classe esportiva aderiu para aumentar a potência e o foco nos treinos e competições.

Assisti a um documentário no Netflix chamado Take your pill (tome sua pílula, em bom português), que traz o problema da prescrição e uso indiscriminado dessas drogas. O filme (trailer abaixo) me fez refletir bastante sobre o porquê de nossa sociedade ter tomado esse rumo.

A indústria farmacêutica arrecada mais de U$ 13 bilhões de dólares por ano só com essa classe de medicamentos. Toda a cadeia médica sai ganhando – ao contrário, é claro, dos pacientes.

Todos os usuários, sem exceção, sofrem algum tipo de efeito colateral, fruto da consequência do desequilíbrio gerado pela droga"

Nada nos é impune. Como falei aqui, Hermes Trismegisto nos traz a Lei da Causa e Efeito e da Compensação. Tudo o que fazemos gera uma consequência. Se algo pende para um lado, em contrapartida, volta para o outro na mesma intensidade.

Então, inevitavelmente, no caso dessas pílulas, após a euforia, vem a depressão. Depois do esforço, o cansaço. E tudo isso para quê? Produzir mais dinheiro aos donos da empresa? Virarmos ratos de laboratório da industria farmacêutica? Sermos estatística?

A que ponto chegamos? Que tipo de seres humanos queremos ser? Que futuro desejamos?

Somos pessoas que se acostumaram com a busca da cura paliativa e do amortecimento das questões e dores em vez de identificar a causa profunda por trás de cada desequilíbrio.

Viramos robôs escravizados pela indústria no topo da cadeia, que só pensa no faturamento bilionário. Aceitamos diagnósticos e nos entupimos de drogas sem questionarmos absolutamente nada.

IStock

Já tomei o Venvanse e, quando me lembro disso, sinto uma angústia no peito. Usava para emagrecer rapidamente e sentia uma euforia que não era verdadeira. Coração a mil, metabolismo acelerado, boca seca, fome zero e muita culpa.

Li uma vez que quanto maior a consciência, maior é a responsabilidade. E isso é verdade. Aos poucos, o uso dessas ferramentas paliativas vai ficando incoerente com nossa jornada. Mas, um dia, percebemos: a verdadeira cura vem de dentro, de forma natural"

A consciência nos permite ir cuidando da raiz do problema e devolve a compaixão por nós mesmos. Ela nos faz enxergar que o nosso corpo é o lugar mais importante do mundo e nada nem ninguém pode destruí-lo. Assim, somos conduzidos para um caminho profundo e verdadeiro.

E, no fim, resta desejar que a consciência visite a todos. E que as pessoas ao menos procurem alternativas com menos danos fisiológicos.

Reprodução

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