Cientistas registram pontos escuros viajando mais rápido que a luz

Estudo revela que singularidades ópticas podem atingir velocidades aparentes acima das da luz sem violar a relatividade

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Ilustração colorida de ponto de luz em meio a escuridão - Metrópoles.
1 de 1 Ilustração colorida de ponto de luz em meio a escuridão - Metrópoles. - Foto: Freepik

Um grupo de físicos do Instituto de Tecnologia de Israel, localizado na cidade de Haifa, observou um fenômeno raro e contra as expectativas habituais da física: minúsculos “pontos de escuridão” que parecem se mover mais rápido que a luz.

O resultado foi descrito em um estudo publicado em março de 2026 na revista científica Nature. Apesar da aparência surpreendente, o trabalho não contradiz as leis da física conhecidas.

Na prática, o que os cientistas registraram não foi o deslocamento de partículas ou energia em velocidade superluminal, mas o comportamento extremo de estruturas chamadas de singularidades de fase óptica — regiões específicas de um campo de luz onde a intensidade é nula.

O que são os “pontos escuros” observados

As chamadas singularidades de fase óptica são pontos onde a luz, em vez de iluminar, se anula completamente. Ao redor dessas regiões, a onda luminosa apresenta uma organização complexa, com propriedades bem definidas, como carga topológica.

No experimento, os pesquisadores acompanharam o movimento dessas singularidades em um sistema controlado. Para isso, utilizaram membranas ultrafinas de nitreto de boro hexagonal (hBN), um material conhecido por permitir a propagação de ondas híbridas de luz e vibração chamadas fônon-polaritons.

Com o auxílio de técnicas avançadas de microscopia eletrônica ultrarrápida, foi possível registrar a dinâmica desses pontos com resolução temporal e espacial extremamente alta.

Acima da velocidade da luz

As medições mostraram que, pouco antes de desaparecerem (em um processo chamado aniquilação), essas singularidades aceleram rapidamente. Em alguns casos, a velocidade calculada ultrapassa o limite da velocidade da luz no vácuo.

O ponto central é que essa velocidade é apenas aparente. Não há transporte de matéria, energia ou informação nesses pontos. O que se move é a posição da singularidade dentro do campo de onda — uma característica geométrica do sistema.

A teoria da relatividade, formulada por Albert Einstein, estabelece que nenhuma informação pode viajar mais rápido que a luz. Como o fenômeno observado não envolve transmissão de informação, não há violação das leis físicas.

Por que o fenômeno acontece

O comportamento extremo está ligado às propriedades das ondas no material utilizado. No caso do hBN, os fônon-polaritons apresentam velocidades de grupo muito baixas, o que amplifica efeitos geométricos e permite acelerações aparentes intensas das singularidades.

Além disso, o estudo analisou a distribuição conjunta entre distância e velocidade dessas estruturas, mostrando que a aceleração cresce de forma abrupta à medida que os pontos se aproximam da aniquilação.

Em termos simples, o sistema cria uma situação em que a “marca” da ausência de luz se desloca rapidamente, sem que algo físico esteja viajando naquela velocidade.

A descoberta ajuda a aprofundar o entendimento sobre a dinâmica de campos de luz complexos e abre caminho para novas aplicações em óptica avançada.

Os resultados podem contribuir, por exemplo, para o desenvolvimento de tecnologias em manipulação de luz em escala nanométrica, sistemas de imagem de alta precisão e sensores ópticos mais sensíveis.

A ideia de algo “mais rápido que a luz” costuma sugerir uma quebra das leis do universo. No entanto, o trabalho mostra que a realidade pode ser mais sutil.

Ao observar estruturas que se movem de forma extrema dentro de campos de onda, os cientistas mostraram como efeitos geométricos e propriedades da luz podem produzir comportamentos surpreendentes — sem alterar as regras fundamentais da física.

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