481 metros: onda gigante no Alasca foi 2º maior tsunami da história
Estudo publicado na Science detalha o deslizamento que provocou, em 2025, o segundo maior tsunami já registrado na história
atualizado
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O segundo maior tsunami já registrado na história provocou uma onda de 481 metros de altura, equivalente a um prédio de mais de 150 andares, no sudeste do Alasca. O fenômeno ocorreu após um deslizamento de terra no fiorde Tracy Arm em agosto de 2025. Em 6 de maio deste ano, a revista Science publicou um estudo detalhado sobre o caso.
O episódio ocorreu cerca de 12 horas depois de passageiros do navio Hanse Explorer passarem pela região para observar e fotografar a geleira South Sawyer. Pouco depois das 5h, uma encosta ao lado da geleira desabou no fiorde, lançando milhões de toneladas de rocha e detritos na água.
A força do impacto empurrou a água contra as paredes estreitas do fiorde. A onda subiu 481 metros do outro lado da encosta, arrancando a vegetação e deixando a rocha exposta. Apesar da dimensão do fenômeno, ninguém ficou ferido, já que não havia embarcações próximas no momento do deslizamento.
Tsunami foi causado por deslizamento
O tsunami foi diferente daqueles provocados por terremotos no fundo do mar. Nesse caso, a origem foi um deslizamento de terra. Quando uma massa gigantesca de rocha caiu rapidamente na água, a energia foi transferida para o fiorde e formou uma onda localizada, mas extremamente alta.
Segundo a análise, cerca de 64 milhões de metros cúbicos de rocha desabaram em aproximadamente um minuto. O impacto gerou um sinal sísmico equivalente a um terremoto de magnitude 5,4 e provocou um movimento prolongado da água dentro do fiorde, conhecido como seiche, uma espécie de “balanço” da água em ambiente fechado.
O único tsunami conhecido com altura maior foi registrado em 1958, também no Alasca, na baía de Lituya, quando uma onda chegou a 520 metros após outro grande deslizamento.
Sistema de alerta
O estudo defende a criação de sistemas de alerta voltados a deslizamentos capazes de provocar tsunamis em fiordes. A ideia seria combinar dados de chuva, recuo de geleiras, atividade sísmica e imagens de satélite para indicar quando uma área está mais instável.
Em um cenário ideal, o aumento gradual do risco poderia gerar alertas progressivos. Um aviso inicial indicaria perigo elevado em uma região ampla. Se os tremores aumentassem ou se houvesse sinais de ruptura iminente, embarcações poderiam ser orientadas a deixar o fiorde ou evitar a entrada.
Mesmo depois do início do deslizamento, sensores sísmicos poderiam ajudar a detectar o evento em poucos minutos e emitir um alerta emergencial para áreas mais distantes do ponto de impacto. No caso do Tracy Arm, isso talvez não salvasse embarcações muito próximas, mas poderia dar alguns minutos de vantagem a pessoas ou navios em outras partes do fiorde.
Os pesquisadores também observaram milhares de pequenos tremores sísmicos na região antes do colapso. Esses sinais levantam a possibilidade de que, no futuro, sistemas de monitoramento possam identificar áreas sob maior risco e emitir alertas antes de deslizamentos semelhantes.
