Tromba d’água: conheça evento meteorológico parecido com o tornado
Na hora de curtir uma praia ou dar um mergulho na cachoeira, é essencial estar atento às condições da água. Veja como evitar a tromba d’água
atualizado
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Com a proximidade das férias, um dos destinos mais procurados pelos turistas são aqueles que envolvam água. Praias, lagos e cachoeiras estão entre os ambientes preferidos dos brasileiros quando o assunto é descansar da correria do ano. No entanto, mesmo na hora da diversão, é importante estar atento aos fenômenos que podem acontecer na água.
Um dos principais é a tromba d’água, um evento meteorológico caracterizado por um movimento forte e giratório de uma coluna de ar, formado sobre a superfície da água de locais como mares, rios e lagos. O fenômeno é muito semelhante com um tornado e parece “sugar” a água.
“Se a rotação do vento tocar no solo, passa a se chamar tornado, mas se descer e tocar em uma superfície líquida, é denominado tromba d’água”, explica o meteorologista Natalio Abrahão Filho, da Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (Uniderp).
Trombas d’águas também se diferenciam no tamanho, tendo diâmetro menor que tornados terrestres, e duração mais rápida, ficando “em pé” por cerca de sete minutos — porém podem provocar estragos. “Embora tenha menos intensidade e duração mais curta, a tromba d’água ainda representa risco para embarcações e atividades náuticas devido às fortes rajadas de vento e à turbulência que provoca na água”, aponta a meteorologista Andrea Ramos.
O fenômeno precisa de algumas condições específicas para acontecer, incluindo instabilidade atmosférica, alta umidade e interação de ventos quentes e frios sobre a superfície da água. As características criam uma nuvem de tempestade, como cumulonimbus, sobre as águas, formando um gradiente responsável por sustentar o funil giratório que conecta a nuvem à superfície aquática.
Para evitar se deparar com um desses durante um passeio de barco, é essencial estar atento aos sinais, como nuvens de grande extensão e escuras com base baixa sobre o mar ou lago, movimentos circulares na água e mudanças repentinas no ambiente, incluindo rajadas de vento irregulares e queda da temperatura do ar.
“Esses indícios visuais e sensoriais permitem reconhecer a aproximação da tromba d’água, mesmo sem equipamentos especializados”, indica Andrea.
E a cabeça d’água?
Se você escolheu ir para cachoeiras ao invés mares ou lagos, também é importante estar atento, pois outro fenômeno natural pode atrapalhar seu descanso: a cabeça d’água. Ela é uma enxurrada muito forte e repentina da água em rios e cachoeiras. O evento acontece quando chuvas intensas ocorrem na cabeceira ou em locais mais altos do rio, aumentando de uma vez a quantidade de água no local.
Em nota enviada ao Metrópoles, o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) afirma que para evitar ser surpreendido é importante estar atento às pistas que o ambiente dá. Se o tempo fechar e a água ficar turva, com galhos e folhas descendo pela correnteza, além do aumento repentino do fluxo aquático, é melhor procurar um local seguro.
“O maior perigo está relacionado ao arrasto das pessoas pela correnteza, o que pode causar afogamentos e traumas diversos, além do risco de acidentes mais graves quando estão próximas da queda da cachoeira”, aponta o CBMDF.

Não há um protocolo específico para estas situações, mas o Corpo de Bombeiros afirma que algumas atitudes são importantes para evitar acidentes. Entre as principais recomendações, estão:
- Sempre tenha uma rota de fuga em mente;
- Nunca perca tempo salvando bens materiais;
- Se perceber algo estranho, dê alerta para as pessoas em volta;
- Abandone o local imediatamente e busque um ponto alto e seguro;
- Mesmo que amigos ou familiares fiquem em pontos distintos do rio, não tente atravessar até que a situação se normalize.
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