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Alienígenas existem? Paradoxo de Fermi explica o silêncio do Universo

Físicos explicam porque mesmo com bilhões de estrelas e planetas, nunca detectamos sinais claros de vida inteligente fora da Terra

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Ilustração em preto e branco de aliens - para relatar o paradoxo de Fermi
1 de 1 Ilustração em preto e branco de aliens - para relatar o paradoxo de Fermi - Foto: Freepik

O Universo é imenso. Só na nossa galáxia, a Via Láctea, existem centenas de bilhões de estrelas. Hoje sabemos que muitas delas possuem planetas — alguns, inclusive, em regiões consideradas potencialmente habitáveis.

Diante desses números, uma pergunta parece inevitável: se há tantos mundos, por que nunca encontramos sinais de civilizações extraterrestres? Essa é a essência do chamado Paradoxo de Fermi, um dos debates mais fascinantes da astrofísica moderna.

O que é o Paradoxo de Fermi

O paradoxo foi formulado informalmente na década de 1950 pelo físico italiano Enrico Fermi, vencedor do Prêmio Nobel de Física em 1938. A ideia ganhou popularidade na década de 1960, especialmente com a divulgação feita pelo astrônomo Carl Sagan.

Segundo o professor Tarcísio Marciano, do Instituto de Física da Universidade de Brasília (UnB), o paradoxo nasce de uma tensão lógica. “Ele está no fato de existir um número extremamente alto de estrelas na nossa galáxia (e no universo), o que deveria implicar em uma alta probabilidade de existir vida inteligente fora da Terra. Ainda assim, nunca detectamos nenhum sinal dela até hoje”, explica.

Em outras palavras: estatisticamente, parece razoável supor que não estamos sozinhos. Mas, até agora, o céu permanece em silêncio. Para Marciano, a origem da vida na Terra foi resultado de um processo natural e espontâneo, ainda que dependente de condições específicas, como a presença de água líquida e características físicas adequadas do planeta.

“Se existe vida inteligente na Terra, que para a ciência é apenas um planeta usual em torno de um estrela usual, que faz parte de uma galáxia usual, supor que ela pode existir em outros lugares é mais do que razoável”, afirma.

No entanto, a grande dúvida está nas etapas seguintes. Pode ser que a vida simples seja relativamente comum, mas que a transição até formas inteligentes e tecnológicas seja extremamente rara. Essa incerteza também aparece na chamada Equação de Drake, proposta em 1961 para estimar o número de civilizações na Via Láctea com potencial de comunicação.

A equação leva em conta fatores como taxa de formação de estrelas, quantidade de planetas, surgimento de vida, desenvolvimento de inteligência e tempo de emissão de sinais detectáveis.

O problema é que muitos desses números ainda são desconhecidos. As estimativas variam enormemente — de cenários muito pessimistas até projeções otimistas de milhões de civilizações.

Ilustração colorida de extraterreste azul -metrópoles
O Paradoxo de Fermi questiona: se há vida lá fora, onde ela está?

O “Grande Filtro” e a autodestruição

Uma das hipóteses mais debatidas é a do chamado Grande Filtro. A ideia é que exista algum estágio crítico no caminho evolutivo que poucas civilizações conseguem superar.

Esse filtro pode estar na origem da vida, na transição para inteligência ou — como sugerem alguns pesquisadores — no próprio desenvolvimento tecnológico. Mas, Marciano aponta uma possibilidade preocupante: civilizações tecnológicas poderiam colapsar antes mesmo de se tornarem detectáveis por longos períodos.

“Nossa experiência em nosso próprio planeta mostra que as diferentes formas de vida disputam os recurso limitados. Quando uma delas se torna inteligente, passa a ter uma vantagem incomensurável sobre as demais e praticamente monopoliza os recursos do planeta, o que pode levar à inviabilização da civilização, uma possibilidade cada vez mais concreta”, conclui Marciano.

Além das questões biológicas e sociológicas, há limites impostos pela própria física. O físico Redisley Aristóteles, da UnB, explica que as viagens interestelares enfrentam obstáculos enormes: energia, tempo, meio interestelar e confiabilidade dos sistemas.

“A energia necessária é grande — com foguetes, o problema do propelente explode. Mesmo para estrelas próximas, o tempo de viagem pode chegar a décadas. Além disso, o espaço não é vazio: poeira e gás, em velocidades muito altas, viram projéteis perigosos”, afirma.

Segundo ele, pelas leis conhecidas da física, informação e matéria não podem ultrapassar a velocidade da luz sem violar a causalidade. Isso torna qualquer comunicação interestelar inevitavelmente lenta, com atrasos que podem variar de anos a séculos.

Mesmo ideias populares da ficção científica, como “buracos de minhoca” ou tecnologias de “warp”, permanecem altamente especulativas e não foram demonstradas experimentalmente.

Estamos ouvindo do jeito errado?

Outra possibilidade é que o silêncio seja apenas aparente. Talvez estejamos procurando sinais da forma errada. Aristóteles lembra que a busca por vida extraterrestre historicamente se concentrou em sinais de rádio, porque essa é uma tecnologia natural para nós.

Ilustração colorida de extraterrestre cinza - Metrópoles
A busca por sinais extraterrestres continua sem resposta
“Civilizações podem usar lasers (feixes estreitos), comunicações altamente direcionais (que não passam pela Terra), sinais com modulações complexas que parecem ruído, ou canais raros e difíceis”, explica. Mesmo que sinais existam, podem ser intermitentes, criptografados ou simplesmente estar fora das faixas que monitoramos.

Além disso, a expansão acelerada do Universo impõe limites adicionais em escalas intergalácticas, criando horizontes cosmológicos que restringem de onde a luz emitida hoje poderá nos alcançar no futuro. Dentro da Via Láctea, porém, o principal obstáculo continua sendo tecnologia e tempo.

Do ponto de vista físico, não há violação das leis naturais no Paradoxo de Fermi. Para Aristóteles, trata-se de uma “tensão entre o enorme número de estrelas/planetas e a ausência de evidências claras de civilizações”.

O debate mistura física, estatística, biologia e até sociologia. As descobertas recentes de exoplanetas potencialmente habitáveis tornaram a pergunta ainda mais instigante — mas não resolveram o mistério.

Se nas próximas décadas continuarmos sem detectar sinais, alguns cenários se tornarão menos prováveis, especialmente aqueles que pressupõem muitas civilizações emitindo sinais fortes e contínuos. Ainda assim, a ausência de evidência não significa evidência de ausência.

O Universo pode ser silencioso por inúmeros motivos: raridade extrema da vida inteligente, curta duração das civilizações tecnológicas, dificuldades físicas intransponíveis ou simplesmente limitações nossas para escutar. Por enquanto, a pergunta que Fermi teria feito — “Onde estão todos?” — segue sem resposta definitiva. 

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