Autor de denúncia sobre condenação de Gilberto Barros: “Dia histórico”

O apresentador foi condenado a dois anos de prisão por dizer que "vomita e bate em homens que se beijam"

atualizado 16/08/2022 16:44

Imagem colorida de Gilberto Barros Reprodução/Instagram

Gilberto Barros foi condenado, nesta terça-feira (16/8), por homofobia. Durante uma edição do programa Amigos do Leão, como é conhecido, o apresentador disse que “vomita e bate em homens que se beijam”. William de Lucca, responsável por denunciar a situação ao Ministério Público, comemorou a decisão.

“Hoje é um dia histórico: pela primeira vez uma pessoa foi condenada à prisão por homofobia. Gilberto Barros, o Leão, foi condenado a 2 anos de prisão por crime de homofobia em um processo movido por mim (e tocado pelo Dimitri Sales e Fernanda Nigro).”

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Além da prisão, a juíza Roberta Hallage Gondim Teixeira, substituiu a privação de liberdade por medidas restritivas de direito. O apresentador ainda deverá prestar serviço à comunidade pelo tempo da pena (dois anos) e pagar cinco salários mínimos, que serão revertidos na compra de cestas básicas.

Entenda o caso

A frase de Gilberto Barros foi dita enquanto o apresentador contava um episódio sobre os 70 anos da TV brasileira. O Leão, como é conhecido, contou que tinha que presenciar “beijo de língua de dois bigodes” enquanto trabalhava na Rádio Globo já que havia uma boate LGBTQI+ em frente à redação.

“Não tenho nada contra, mas eu também vomito. Eu sou gente, ainda mais vindo do interior. Hoje em dia, se quiser fazer na minha frente, faz. Apanha os dois, mas faz”, disse.

De Lucca fez a denúncia no Ministério Público. Dimitri Sales, advogado do jornalista e ativista LGBTQI+, considerou a decisão ‘importantíssima, por resguardar os direitos da população LGBT, rejeitando comentários e condutas que estimulam ódio e violência”

“A decisão do STF [Supremo Tribunal Federal], que elevou a vida desta população a bem jurídico fundamental quando reconheceu a prática de homofobia e transfobia como crimes”, concluiu.

Os advogados responsáveis pela defesa de Barros não negaram a fala, mas disseram que o apresentador se mostrou constrangido com a situação e que “sempre usou sua arte ou ofício para melhorar o país”. Também afirmaram que, “pelo seu sangue italiano, ele costuma falar muito”, mas “jamais teve a intenção de incitar a violência”.

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