Vídeo: jovem é baleado e morto por PM no dia do aniversário em SP

O policial que atirou na vítima disse que agiu em legítima defesa por ter achado que o rapaz dispararia contra eles

Mais um jovem da periferia morreu em São Paulo em decorrência da ação policial. Nesse domingo (9/8), Rogério Ferreira da Silva Júnior, de 19 anos, saiu de moto para comemorar o aniversário, mas morreu ao ser perseguido e abordado por dois policiais militares. A família acusa os agentes de terem atirado em um inocente e desarmado. 

O policial que atirou afirmou ter agido em legítima defesa, pois achou que Rogério dispararia contra eles. No entanto, os próprios agentes de segurança admitiram não ter encontrado nenhuma arma com a vítima. As informações são do portal G1.

O caso é investigado pela Polícia Civil e pela Corregedoria da PM. Imagens de uma câmera de segurança registraram o momento em que Rogério pilota sozinho a moto emprestada de um amigo, sem capacete, às 17h51. Em seguida, policiais da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam) cercam a vítima, que reduziu a velocidade e parou perto da calçada. 

Logos após estacionar, a vítima cai da moto já sem vida. Segundo o boletim de ocorrência, Rogério teria sido baleado enquanto era perseguido pelos agentes. Imagens feitas por testemunhas que circulam nas redes sociais mostram o jovem agonizando sem socorro médico. 

Segundo parentes e amigos de Rogério, o 26º DP se recusou a registrar a ocorrência, encaminhando o caso para o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) no fim da noite. O boletim de ocorrência só foi finalizado nesta segunda-feira (10/8), após 15 horas de espera em frente a unidade.

O caso foi registrado como “resistência, homicídio simples decorrente de intervenção policial, desobediência, dano qualificado, dirigir sem permissão ou habilitação, trafegar em velocidade incompatível e permitir direção de veículo automotor a pessoa não habilitada”.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) foi indagada por que o boletim de ocorrência só ficou pronto perto das 8h30 desta segunda. “Todas as circunstâncias relacionadas aos fatos estão sendo apuradas pela Polícia Militar, por meio de IPM, e pelo DHPP, onde o caso está sendo registrado. A Corregedoria da PM também foi acionada”, informou a pasta, em comunicado.

Família e amigos pedem justiça

“Era aniversário dele, ele estava muito feliz. Eu comprei bolinho para ele. A gente não conseguiu cantar os parabéns porque veio um e tirou a vida do meu filho”, disse a mãe, Roseane da Silva Ribeiro, ao portal G1. “Eu quero justiça porque isso foi uma maldade, uma injustiça muito grande que fizeram com meu filho”.

Rogério fazia um curso de cabeleireiro, pois se inspirava na mãe e queria seguir a mesma carreira. Enquanto estudava, trabalhava em uma empresa de logística.

“O moleque não esboçou nada contra ele. Não tinha por que ele falar que ele se sentiu ameaçado. Até porque o policial está com a arma e com o colete. O moleque estava sem capacete, não tem um colete à prova de balas e muito menos uma arma”, disse, um amigo, que preferiu não ser identificado.

Segundo testemunhas, uma enfermeira amiga da família rompeu o cordão de isolamento para fazer massagem cardíaca no jovem, levado por parentes e amigos ao Pronto Socorro Municipal Augusto Gomes de Mattos, onde morreu.

Versão dos Policiais

De acordo com o boletim de ocorrência, o rapaz foi abordado por estar sem capacete, além da falta da placa no veículo.  Na versão dos PMs, Rogério não obedeceu o sinal para parar e fugiu “em alta velocidade e fazendo ziguezague pela via”.

Segundo um dos agentes, o disparo foi feito em legítima defesa. “Durante a breve tentativa de fuga, o condutor da motocicleta fez menção de colocar a mão na cintura como se estivesse armado e simulando que buscaria sacar uma arma de fogo, o que fez os policiais militares pensarem estar diante de uma iminente agressão, a qual foi repelido de imediato pelo policial”, informou a ocorrência.

A versão foi aceita pela Corregedoria da PM, que entendeu que o caso foi de “legítima defesa putativa, na qual o indivíduo imagina estar em legítima defesa, reagindo contra uma agressão inexistente.

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