Variante brasileira já predomina em casos de Covid-19 em Araraquara

Variante brasileira, a P.1, foi detectada em 93% de amostras analisadas pela USP na cidade, que se destacou por adotar lockdown total

São Paulo Dados preliminares de estudo conduzido pelo Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP) indicam que a variante brasileira do novo coronavírus, conhecida como P.1., já é a predominante em Araraquara, no interior de São Paulo.

Segundo os pesquisadores, em 93% de 57 casos de pacientes com Covid-19 analisados na cidade havia a presença da variante brasileira. Os pesquisadores coletaram amostras de secreção de pessoas infectadas que procuraram atendimento em um posto de saúde entre os dias 25 de janeiro e 23 de fevereiro de 2021. As informações são da Agência Fapesp.

Araraquara virou notícia nacional ao determinar lockdown total em meados de fevereiro. Desde então, a cidade vem sofrendo com a saturação do sistema de saúde por conta da alta procura de pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

“Até 17 de fevereiro ainda encontramos alguns casos de infecção por outras linhagens. A partir daí, foi tudo P.1.”, conta Camila Romano, coordenadora da investigação sobre a prevalência de P.1.

As primeiras análises foram feitas com material de 22 pacientes hospitalizados. “Como eles já estavam internados há muitos dias, a expectativa era de que a carga viral no organismo seria muito baixa e, portanto, difícil de analisar. Mas, para nossa surpresa, conseguimos sequenciar o RNA do vírus em 14 amostras, das quais 12 deram positivo para a P.1.”, afirma Romano.

Estudo recentemente divulgado por pesquisadores do Centro Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (CADDE) – que também colaboram neste estudo coordenado por Romano – indica que a variante brasileira emergiu em novembro de 2020 e em apenas sete semanas se tornou a mais prevalente na cidade de Manaus, no Amazonas.

Segundo o estudo, a P.1. pode ser até 2,2 vezes mais transmissível e tem 61% de chance de infectar pessoas que já pegaram Covid-19. Segundo pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a P.1. também sobrecarrega as células humanas com uma carga viral dez vezes maior que o normal.

“É incomum uma linhagem emergente substituir completamente outra já estabelecida em tão pouco tempo, ainda mais quando há um foco epidêmico ativo e um grande número de indivíduos já infectados. É assustador e mostra o poder desse vírus”, declarou Camila Romano.

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