Uma visão sobre Brumadinho, cidade em luto pela tragédia

Em vitrines e monumentos, a população tenta lidar com a morte de, até o momento, 107 pessoas

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 04/02/2019 6:30

As fachadas dos comércios, casas e igrejas transmitem o sentimento do município mineiro de Brumadinho nessa última semana. Cartazes com símbolos de luto, textos em memória das vítimas e flores demonstram a dor que dificilmente vai passar no coração de centenas de moradores que perderam familiares na tragédia do dia 25/1, uma sexta-feira.

O letreiro da cidade virou um memorial com objetos de vítimas fatais e daqueles que ainda estão desaparecidos. É lá que os moradores fazem orações e tentam encontrar consolo.

“Nossa rotina mudou completamente. Pessoas que víamos no dia a dia não estão mais lá. Falta um pedaço em cada um aqui. Esse lugar vive um luto profundo. Ainda é difícil acreditar que tudo isso aconteceu”, disse o técnico em eletrotécnica Arlei Cristman, 43 anos.

 

Andar pelas ruas de Brumadinho é conhecer histórias de desespero como a da família de Marcileia da Silva, funcionária da Vale que ainda está desaparecida em meio aos rejeitos da barragem.

“Se pelo menos as equipes encontrassem o corpo, poderíamos nos despedir. Fazer uma última homenagem. Mas ficamos na incerteza sem saber onde ela está. Todos os dias o marido vai atrás de notícias, mas a família já está sem esperanças”, relata Amarise de Fátima, amiga de Marcicleia.

O comerciante José Aldo, 59, afirma que a cidade parou. “Brumadinho recebeu essa pedrada. Estamos imobilizados, no chão, buscando forças dos céus para levantar”, lamentou.

Como uma forma de homenagem e protesto, a pedagoga Josilene Vilaça fez um ato durante a missa de sétimo dia das vítimas, que ocorreu na última sexta (1º/2).

“Voluntários e sobreviventes entraram na igreja carregando um carrinho com a lama da Mina do Córrego do Feijão. Cravamos uma flor como símbolo de esperança. Também fizemos cartazes impactantes para que as pessoas entendam a gravidade do que aconteceu”, explicou.

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