“Superficial exploração sensacionalista”, reage Lava Jato a diálogos

Força-tarefa vê "ataque infundado à imparcialidade da operação por meio de publicação equivocada e sem checagem de fatos pelo The Intercept"

Foto: Hugo Barreto/MetrópolesFoto: Hugo Barreto/Metrópoles

atualizado 19/06/2019 16:05

A força-tarefa da Lava Jato reagiu nessa terça-feira (18/06/2019) à publicação de novos diálogos atribuídos ao ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, e ao procurador Deltan Dallagnol, coordenador do grupo de trabalho em Curitiba. Nas conversas, de acordo com o site The Intercept Brasil, o então juiz da Lava Jato questiona o procurador sobre uma investigação envolvendo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Em nota, a força-tarefa afirmou que se trata de “ataque infundado à imparcialidade da operação por meio de publicação equivocada e sem checagem dos fatos pelo site The Intercept Brasil”.

Segundo o site, Moro e Dallagnol comentam suposto caixa 2 eleitoral em campanhas de FHC e que o caso já estaria prescrito. Na conversa com o procurador, supostamente ocorrida em 13 de abril de 2017, o então juiz da Lava Jato teria anotado. “Acho questionável, pois melindra alguém cujo apoio é importante.”

De acordo com o comunicado do Ministério Público Federal no Paraná, o caso relativo a FHC “nem sequer era de atribuição da força-tarefa Lava Jato de Curitiba e ela não teve qualquer participação na decisão de seu envio para outra unidade do Ministério Público Federal ou na análise de eventual prescrição”.

“Sempre que a força-tarefa tomou conhecimento de fatos que poderiam revelar indícios concretos de crimes envolvendo altas autoridades, independentemente do partido a que pertencessem, foram adotadas todas as providências cabíveis”, continua a nota.

Para a força-tarefa, o site The Intercept Brasil, “de modo tendencioso, para criar artificialmente uma realidade inexistente que dê suporte a teses que favoreçam o ex-presidente Lula, deixa de reportar a seus leitores o que é fato”. E lembra que, com base na delação da Odebrecht, “houve a indicação de centenas de condutas criminosas de mais de 400 agentes públicos, tendo sido nomeados políticos de 26 partidos”.

“Diálogos inteiros podem ter sido forjados pelo hacker ao se passar por autoridades e seus interlocutores. Uma informação conseguida por um hackeamento ilegal traz consigo dúvidas inafastáveis quanto à sua autenticidade, o que inevitavelmente também dará vazão à divulgação de fake news.”

A Polícia Federal instaurou inquéritos para investigar ataques feitos por hackers aos celulares de procuradores da República que atuam nas forças-tarefa da Lava Jato em Curitiba, no Rio e em São Paulo.

Alvo de ataque cibernético, Moro afirmou ao Estado que o país está diante de “um crime em andamento”, promovido, conforme avaliação, por uma organização criminosa profissional.

O grupo de procuradores reafirmou que não reconhece a autenticidade e a integridade dos diálogos. “Resta clara a ausência de qualquer elemento que indique ação no sentido de forjar provas, ajuste partidário, manifestação de cunho ideológico, corrupção, ou ilegalidade dos membros do Ministério Público Federal.”

“Sem a comprovação de sua origem, autenticidade e contexto, a exposição parcelada e contínua de supostos trechos de conversas atendem a uma agenda político-partidária, em prejuízo do alegado interesse informativo e com a intenção de manipular a opinião pública. A superficial exploração sensacionalista de diversos episódios que marcaram a Operação Lava Jato tenta banalizar o esforço árduo de centenas de servidores públicos.”

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