Sorotipo 2: entenda o vírus da dengue que está matando no Brasil

No total, há quatro tipos diferentes da doença. O organismo só desenvolve resistência à modalidade da doença que já foi contraída

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atualizado 12/09/2019 13:12

O Ministério da Saúde deu detalhes, nesta quinta-feira (12/09/2019), da crise que envolve as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. O chefe da pasta explicou que o sorotipo da dengue que tem circulado neste ano no país é o 2 — que há muito tempo não causava epidemias.

A dengue tem quatro sorotipos. O sistema imunológico do corpo humano se defende de apenas uma variação do vírus, ou seja, quem contraiu dengue 1 só pode ter novamente a doença se for causada pela 2, 3 ou 4.

A dengue clássica é a forma mais leve da doença, sendo muitas vezes confundida com gripe. Tem início súbito e os sintomas podem durar de cinco a sete dias, apresentando sinais como febre alta (39°C a 40°C), cansaço, dores de cabeça, musculares e nas articulações, indisposição, enjoos, vômitos, entre outros.

O perigo é quando a pessoa adoece pela segunda vez. “Quando ocorre uma segunda infecção, aumenta os riscos de complicações, como a dengue hemorrágica”, destacou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Ele explicou o que tem acontecido em 2019. “O sorotipo 2 há muito tempo não circulava aqui. Ele encontrou o mosquito a vontade e um número de pessoa enorme sem defesa. Quando isso ocorre há um aumento muito grande no volume de casos”, detalhou.

Questionado se alguma medida poderia ter sido tomada, o ministro foi categórico. “Não”, resumiu, ao dizer que a circulação do vírus é cíclica.

Segundo o ministro, esse é um fenômeno biológico. “O vírus está no meio ambiente. Poderíamos ter feito algo se o mosquito não estivesse no ambiente. Cada época é um vírus. Infelizmente não controlamos essa dispersão”, conclui.

Ele emendou: “não deixa de existir o vírus, o mosquito. É que se no verão passado muita gente teve a doença numa cidade, no próximo verão os casos serão baixos por estarem ‘protegidos’”, explicou o ministro.

Mortes e campanha adiantada
O Ministério da Saúde lançou a campanha nacional de combate às doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. As medidas foram anunciadas dois meses antes devido ao alto número de casos e de mortes por dengue. A campanha foi adiantada para setembro. Normalmente, o combate começa em novembro.

De janeiro até 24 de agosto, foram registrados 1,4 milhão de casos, seis vezes mais do que no mesmo período do ano passado (205.791). Pelo menos 14 estados estão em situação de epidemia. Apenas Amazonas e Amapá apresentaram redução em relação a 2018.

Zika e chikungunya, também doenças transmitidas pela picada do mosquito, seguiram a mesma tendência. De acordo com Ministério da Saúde, casos de chikungunya subiram 44% no período, passando de 76.742 e para 110.627. A infecção por Zika, por sua vez, passou de 6.669 para 9.813 no mesmo intervalo.

A explosão de casos foi acompanhada pela elevação expressiva de mortes. Somadas, as três doenças provocaram 650 óbitos (591 por dengue, 57 por chikungunya e dois por zika). É como se 2,7 pessoas morressem por dia em decorrência das infecções.

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