Sem atenção de Bolsonaro, militares oram para voltar à Força Nacional

Grupo com dezenas de militares da reserva das Forças Armadas se manifestou na Esplanada dos Ministérios pedindo o emprego de volta

Hugo Barreto / MetrópolesHugo Barreto / Metrópoles

atualizado 14/01/2019 18:23

Militares da reserva que protestavam em Brasília nesta segunda-feira (14/1) encerraram o ato pedindo, em oração, para voltar a atuar pela Força Nacional. Os manifestantes queriam chamar a atenção do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e do ministro da Justiça, Sérgio Moro, mas não conseguiram fazer contato com as autoridades. O grupo chegou a ficar parado em frente ao Ministério da Defesa, onde os dois almoçavam. Ainda assim, não conseguiram o contato. 

“Vamos agradecer a Deus pelo único objetivo que a gente tem: trabalhar em favor da pátria. A gente quer voltar a usar a farda. Se for para a gente voltar, que a gente volte. Se não for, meu Deus, que seja feita a sua vontade”, declarou o militar Leonardo Costa, identificado pelos colegas como “cabo Costa”, antes de iniciar um Pai Nosso. 

O grupo de cerca de 50 militares vestidos de preto peregrinou pela Esplanada dos Ministérios segurando faixas com suas reivindicações desde as 9h30. Todos prestaram serviço temporário à Força Nacional e começaram a ser dispensados a partir de maio de 2018.

Em uma das mensagens, o pedido era para que Bolsonaro “ajude” seus soldados a serviço da pátria. Em outra faixa, lembravam que a Lei nº 13.500, de 2017, que garante a permanência nos quadros das Forças Armadas até 2020. “Cumpra-se a lei”, dizia o cartaz. No entanto, a medida está sujeita à necessidade do governo.

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Militares da reserva se manifestaram na Esplanada dos Ministérios

“Nos desmobilizaram numa situação em que o país precisa. Queremos voltar a vestir a farda em prol da segurança do nosso país”, explicou o tenente José Fernandes Uchôa, que representa o grupo. Segundo ele, cerca de 600 militares passaram pela situação.

O grupo afirma que a Força Nacional está com baixo efetivo e que, como o governo investiu em capacitação, deveria mantê-los. Os militares da reserva foram para missões em vários estados do país, como Rio de Janeiro, Pará e Porto Alegre.

“O Ceará está precisando de efetivo, não tem efetivo e nós estamos preparados. Todo o cenário coopera para que a gente retorne”, disparou cabo Costa, que também integra o movimento.

Segunda tentativa
Como no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB) as reivindicações não foram ouvidas, o objetivo do grupo agora é insistir durante a gestão de Jair Bolsonaro (PSL). Ainda que o presidente não tenha demonstrado interesse pela causa nesta segunda, o grupo considerou o ato positivo e garante que vai insistir no pedido. 

“A Secretaria da Segurança no governo Temer não nos ouviu. Agora a gente procura, por intermédio do nosso ministro da Justiça e do ministro do GSI [Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno], tentar conseguir isso. A partir de hoje, a gente acredita que vai conseguir uma oportunidade futuramente”, concluiu o tenente José Fernandes Ulhôa.

O Ministério da Justiça, ao qual a Força Nacional está subordinada no atual governo, foi procurado e não respondeu até a última atualização desta publicação.

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