DF e GO em alerta contra dengue. Doença ameaça regiões Nordeste e Sul

A pouco mais de 100 dias do início do verão, período considerado mais crítico, autoridades sanitárias preocupam-se com risco de epidemia

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atualizado 12/09/2019 20:29

O mais recente panorama das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, divulgado pelo Ministério da Saúde, coloca a capital federal e Goiás na rota da dengue. Para se ter dimensão da gravidade da situação, o estado vizinho é o segundo no ranking das unidades da Federação com maior aumento da incidência da infecção (casos por 1000 mil habitantes). O DF ocupa a 5ª posição, e já teve 43 mortes neste ano confirmadas até 31 de agosto, segundo boletim epidemiológico divulgado nesta quinta-feira (12/09/2019) pela Secretaria de Saúde.

Os goianos registraram 1.561,6 doentes a cada 100 mil pessoas; os brasilienses, 1.194,4 infecções a cada grupo. No mesmo período do ano passado os índices eram menores: 1.056,6 e 54,0, respectivamente, segundo balanço das autoridades sanitárias. A situação é alarmante, considera o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Nesta quinta-feira (12/09/2019), ele anunciou (com dois meses de adiantamento) a campanha de combate. O ministro foi categórico: “Não existe cidade que possa dizer que não está em risco”, destacou, ao anunciar as ações de combate, como mosquitos inférteis para diminuir a proliferação do inseto.

A situação agravada não está restrita somente ao DF e a Goiás. O vírus ameaça as regiões Nordeste e Sul. O próprio ministro explicou os riscos. “Tivemos desde o ano passado a reintrodução do tipo dois. Há muito tempo ele não circulava. Tem muita gente que não tem imunidade para esse vírus, um número enorme de pessoas sem defesa”, frisou.

A pouco mais de 100 dias do início do verão, período considerado mais crítico, em 22 de dezembro, as autoridades sanitárias estão preocupadas. “No período das chuvas, vamos observar se ele vai se deslocar pela Bahia”, analisou, ao dizer que o estado poderia ser porta de entrada para o vírus no Nordeste — a região regista alta de 217,7% nos casos de dengue. Foram 55.494 em 2018 e 117.677 neste ano.

O Aedes, para se reproduzir, precisa de calor e água parada. As temperaturas amenas da região Sul impediam a larga proliferação do inseto. Em 2019, de forma inédita a radiografia mudou. “O mosquito [está] se aclimatando à região Sul. Não tem explicação. Ele vai em direção a onde tem aglomerados urbanos. Na região Sul, as pessoas tinham mais proteção contra a dengue, mas de repente começamos a ver”, lamentou Mandetta.

O Sul lidera o aumento de casos de dengue por região. Em 2018 foram 1.303 casos da doença. Até 24 de agosto deste ano, 43.323 pessoas adoeceram. Aumento de 3.224,9%. “A atitude das pessoas em relação à sua moradia fará a diferença no controle. O mosquito se utiliza da água parada para se reproduzir”, lembrou o ministro.

Apoio de gestores locais
Mandetta pediu que os gestores locais, como governadores, prefeitos e secretários de Saúde, também adiantem as medidas de controle. “Redobrem, tripliquem suas ações para minimizar, controlar os casos de dengue”, concluiu.

Apesar da alta das doenças, o governo nega a falta de recursos para o combate. Segundo o Ministério da Saúde, as ações de combate são ininterruptas. Cálculos da pasta mostram que a verba para o controle passou de R$ 924,1 milhões, em 2010, para R$ 1,9 bilhão, no ano passado. Entre as medidas anunciadas pelo governo está o apoio técnico aos estados e municípios, a oferta de insumos para o combate, como veneno, e capacitações para agentes de saúde.

O sorotipo da dengue que tem circulado neste ano no país é o 2 — que há muito tempo não causava epidemias. A dengue tem quatro sorotipos. O sistema imunológico do corpo humano se defende de apenas uma variação do vírus, ou seja, quem contraiu dengue 1 só pode ter novamente a doença se for causada pela 2, 3 ou 4.

A dengue clássica é a forma mais leve da doença, sendo muitas vezes confundida com gripe. Tem início súbito e os sintomas podem durar de cinco a sete dias, apresentando sinais como febre alta (39°C a 40°C), cansaço, dores de cabeça, musculares e nas articulações, indisposição, enjoos, vômitos, entre outros. O perigo é quando a pessoa adoece pela segunda vez. “Quando ocorre uma segunda infecção, aumentam os riscos de complicações, como a dengue hemorrágica”, destacou o ministro.

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