Sargento suspeito de assediar soldado criou grupo para atacá-la

Soldado da PM de 28 anos teria sofrido mais de três anos de perseguição na corporação até denunciar o oficial

atualizado 08/06/2021 8:40

Jéssica Paulo do Nascimento, de 28 anos, que denunciou um tenente-coronel por assédio sexual e ameaças de morteArquivo Pessoal

Uma petição protocolada pelo advogado da ex-soldado da Polícia Militar de São Paulo Jéssica Paulo do Nascimento, informa que o tenente-coronel Cássio Novaes, denunciado por assédio sexual e ameaças de morte contra ela, criou um grupo no WhatsApp intitulado “Todos odeiam Jéssica”.

Ao G1, Jéssia revelou que recebeu uma denúncia anônima sobre a existência do grupo na rede social, do qual Cássio Novaes era o administrador. Jéssica teve acesso a prints das falas do grupo criado para atacá-la.

“Eu senti medo. Mesmo pedindo exoneração por causa dele [sargento], o homem criou um grupo para me humilhar, cujo título dizia que todos me odeiam. Porém, não é bem assim, porque tem pessoas lá dentro que me respeitam e me consideram, tanto que muitos saíram do grupo indignados, e ainda recebi print de tudo. Espero que a justiça seja feita e que seja provado que esse homem é obcecado e vem me perseguindo”, disse a ex-militar.

O advogado da vítima argumentou que a petição tem a finalidade de provocar a instauração de um Inquérito Policial Militar para apurar as novas denúncias. As revelações iniciais já são investigadas pela Corregedoria da PM paulista, em segredo de justiça.

“A criação de um grupo fomentando ódio coloca veementemente em risco a vida da ex-soldado e da sua família. Além das medidas citadas, também foi requerido que, diante da gravidade dos fatos, os autos do IPM que apura o crime de assédio sexual sejam remetidos para a Justiça Militar com essa novas informações com urgência, a fim de que o Ministério Público tome ciência dos fatos e, assim querendo, se manifeste a respeito”, diz o documento.

Entenda o caso

As investidas contra a PM teriam começado em 2018, quando o tenente-coronel passou chefiar o batalhão em que ela trabalhava, na zona sul da capital paulista.

A partir daí, a soldado, que é casada e mãe de dois filhos, teria sido vítima de assédio. Após ter cortado as investidas do oficial para sair com ela, o superior estaria atuando para atrapalhar a vida da policial na corporação.

A situação fez com que ela tirasse um período de licença sem direito ao salário e se mudasse da capital paulista para o litoral.

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