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O coordenador especial de Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio de Janeiro, Nélio Giorgini, registrou ocorrência nesta segunda-feira (2/4) na 15ª Delegacia de Polícia, na Gávea (zona sul), onde mora. Neste domingo (1º), o coordenador informou, por meio de nota, ter sofrido um ataque a tiros em Benfica, na zona norte carioca.

Giorgini conversou com a imprensa antes de registrar a ocorrência. Ainda abalado, disse acreditar que o ataque não teve características de uma tentativa de assalto. De acordo com o coordenador, uma moto com duas pessoas acompanhou, por quatro quadras, o Chevrolet Cruze no qual ele estava com os pais e o marido, Ronni Adriani, após almoçarem no restaurante Adonis. Giorgini estava sentado na frente, no banco do passageiro. Segundo ele, os criminosos apontaram a arma para sua cabeça por cerca de cinco minutos.

“Quando a gente saiu da Rua Tavares Ferreira e virou [na Rua Ana Neri], eu só escutei o grito do Ronni: ‘Eles vão atirar!’. Os tiros foram lá no final, já chegando na Rua Dr. Garnier. Eles foram acompanhando o carro desde a Tavares Ferreira até a Dr. Garnier. Do meu lado, com a arma apontada”, relatou.

Segundo o coordenador, os homens não anunciaram assalto. “Essa é a nossa curiosidade, porque normalmente se jogam na frente do carro para levá-lo. Não anunciaram nada, simplesmente nos acompanharam quatro quarteirões com a arma apontada para a gente. Estavam de capacete azul, claro. Não deu para ver a moto, foram cinco minutos de pânico total”, detalhou Giorgini.

De acordo com a Polícia Civil, o caso foi registrado como tentativa de latrocínio (roubo seguido de morte). “A vítima foi ouvida, nesta segunda-feira, na unidade policial [15ªDP]. As investigações vão ficar a cargo da 25ª DP (Engenho Novo), responsável pela área onde ocorreu o fato”, explicou a corporação.

Após fazer o registro na delegacia, Giorgini disse que sua reação durante o ocorrido não é recomendada pelas autoridades policiais, pois pediu ao marido para acelerar o carro.

Vulnerável
Embora tenha dito confiar na investigação policial, Giorgini considera ficar mais vulnerável a sofrer violência por ocupar função pública. “Dizer que o cargo não me expõe, eu estaria mentindo. Afinal de contas, uma das grandes questões a considerar no dia a dia dos LGBTs é a violência… Eu não gosto de trabalhar com a desgraça alheia, mas é uma das questões de ofício do meu cargo”, afirmou. “Mutilações, violências e agressões são comuns da pasta LGBT, mas nem por isso eu posso relacioná-las ao ocorrido ontem. Se houver algum tipo de relação, quem vai poder dizer é a polícia”, acrescentou.

O coordenador afirmou não pretender solicitar escolta ou segurança pessoal. “O dia que eu chegar a esse ponto, eu vou estar desacreditando no poder policial do Rio de Janeiro. Eu quero acreditar no poder policial. Neste ano e pouquinho na coordenadoria, não tenho o que reclamar da polícia, nem da PM nem da Polícia Civil. Eu preciso acreditar no estado”, afirmou. Ele ainda lamentou o fato de moradores do subúrbio, onde cresceu e os pais ainda moram, convivam com esse tipo de violência cotidianamente, independentemente de “ser gay, evangélico ou qualquer coisa”.