Rio: Câmara de Vereadores faz um minuto de silêncio por morte de Henry

Vereadores votam cassação de Dr. Jairinho, preso pela morte do enteado. São necessários 34 votos dos 50 parlamentares para a perda do cargo

atualizado 30/06/2021 18:57

Polícia do Rio investiga a morte de Henry BorelReprodução/Redes sociais

Rio de Janeiro – Parlamentares da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro fizeram um minuto de silêncio em homenagem ao menino Henry Borel durante a sessão de votação para cassação do mandato de Dr. Jairinho, nesta quarta-feira (30/6).

Os vereadores decidem, em votação nominal, o afastamento do vereador por conduta incompatível com o decoro parlamentar. São necessários 34 votos dos 50 parlamentares para que Jairinho seja afastado. É a primeira vez na história da Câmara que um vereador é alvo de processo de cassação.

Jairinho está preso pelo assassinato do enteado, juntamente à namorada e mãe do menino, Monique Medeiros. Eles foram indiciados por homicídio triplamente qualificado, com emprego de tortura.

A homenagem foi proposta pelo vereador Celso Costa (Republicanos). A solicitação foi atendida pelo presidente da Casa, Carlo Caiado (DEM).

No início da sessão, o presidente prestou homenagem a Henry e a todas as crianças vítimas de violência. “Não vamos fugir da nossa responsabilidade”, afirmou.

O relator do processo no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, vereador Luiz Ramos Filho (PMN), leu o parecer favorável à perda do mandato por conduta incompatível com o decoro parlamentar. “Não resta alternativa a não ser a perda do mandato”, afirmou Filho. Foram incluídas no rito, as alegações finais e duas horas para o advogado de defesa.

Luiz Ramos destacou que depoimentos de testemunhas e provas obtidas em inquérito policial integram o relatório final, bem como os laudos periciais. Ele também lembrou o depoimento da babá Thayná Oliveira Ferreira, que revelou a Monique as agressões de Jairinho contra Henry. Jairinho também pediu ao Hospital Barra D’or para atestar o óbito e não encaminhar o caso ao Instituto Médico Legal.

Filho recorda ainda que Jairinho ligou para o governador Cláudio Castro (PL) para falar do caso. O governador não respondeu à Câmara sobre o telefonema.

Palanque e pirotecnia

O vereador Alexandre Isquierdo (DEM), presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, afirma que o processo foi concluído com base na Justiça. “Não houve palanque e pirotecnia. Esse Conselho cumpriu seu papel sem corporativismo. Estou com a consciência tranquila”, defendeu.

Chico Alencar (PSol) avaliou que a morte de Henry era “evitável, como as de Marielle e Anderson”. O vereador ressaltou que o caráter da votação é político, e não criminal, sendo o objeto o “direito ao mandato público”.

Cretinismo parlamentar

“Jairinho usou tráfico de influência quando procura o governador. Assim como no hospital. Frieza reiterada quando Jairinho dizia que ‘queria virar essa página’. Relatos de abuso de poder são constantes. Isso é cretinismo parlamentar”, frisou Chico Alencar.

Ele também ironizou o fato de a defesa ter usado o caso Dreyfus, um grande conflito social e político na Terceira República, ocorrido na França no final do século 19, em torno da acusação de traição feita ao capitão Alfred Dreyfus. Ao final, ele foi inocentado.

A vereadora Teresa Bergher (Cidadania) afirmou que a votação desta quarta é uma resposta ao pai do menino Henry, o engenheiro Leniel Borel, e a outras crianças vítimas de violência doméstica.

“Estamos dando uma resposta ao pai do Henry e a outras crianças que foram agredidas. Tudo isso poderia não ter acontecido se as mães tivessem denunciado. Infelizmente, não fizeram. Temos obrigação de nos manifestar. O feminicídio cresce e tem o silêncio do vizinho ao lado”, afirmou Teresa.

A vereadora classifica o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar como “capenga”. “Jairinho é um mau exemplo para a sociedade. Não tem condição de respeitar o Parlamento. Essa mulher [Monique Medeiros] não pode ser considerada mãe”, completou.

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