Renda caiu para 43% dos paulistanos nos últimos 12 meses, diz pesquisa

Levantamento da Rede Nossa São Paulo aponta que metade da população precisou fazer bico para complementar o orçamento durante a pandemia

atualizado 24/02/2021 15:50

São Paulo – Nos últimos 12 meses, 43% dos moradores da capital paulista tiveram diminuição de renda, segundo pesquisa realizada pela Rede Nossa São Paulo e pelo Ibope Inteligência. O percentual um crescimento de 12 pontos percentuais em relação ao ano de 2019. Para 41%, a renda se manteve estável e para 10% aumentou.

“Estamos diante de uma crise sanitária global, como todos sabem, que tem nos impactado. Isso tem gerado, junto com a crise sanitária, uma crise econômica e é uma questão que preocupa muito”, afirmou Jorge Abrahão, coordenador da Rede Nossa São Paulo, durante a apresentação da pesquisa.

Entre os moradores das zonas leste e sul, a percepção de diminuição de renda cresce em comparação com 2019. A região central da cidade tem o maior percentual de estabilidade na renda.

A edição de 2021 da pesquisa “Viver em São Paulo: Trabalho e Renda” foi feito com pessoas que moram no município de São Paulo, que tem 16 anos ou mais.

No total, foram 800 entrevistas, on-line e domiciliares, feitas entre os dias 5 de dezembro de 2020 e 4 de janeiro de 2021. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para menos ou para mais.

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Abrahão afirmou que existe uma clara tendência de queda na renda das pessoas, que, ao mesmo tempo, estão vendo aumentar o peso de itens básicos de sobrevivência no orçamento.

“Só a alimentação toma aproximadamente 50% dos recursos domésticos das pessoas. Essa percentual era há dois anos de 43%. E se a gente soma os cinco principais itens. a alimentação, o aluguel, a educação, a saúde e o transporte consomem 93% dos recursos das pessoas”, disse.

Bicos

Para complementar a renda no último ano, praticamente metade da população paulistana fez algum bico, segundo a pesquisa: 10% fez bico de serviços gerais; 7% produziu alimentos em casa para vender; 5% trabalhou de ambulante/camelô; 4% fez artesanato; 4% fez bico de serviços de beleza; 3% de segurança; 2% fez entregas por aplicativo; 1% dirigiu como motorista de aplicativo; e 19% fez outros bicos.

A pesquisa indica que 15% dos paulistanos estão desempregados. O desemprego atinge de forma mais acentuada alguns perfis populacionais: classe D/E (24%); que tem renda familiar de até 2 salários mínimos (25%); pretas(os) e pardas(os) (20%); com ensino fundamental (21%); da região Sul (22%); e que tem de 16 a 24 anos (27%).

“Quando nós vamos ver quem está desempregado, vemos que a desigualdade atravessa a questão do desemprego também. Estão desempregadas as pessoas mai vulneráveis, são justamente as pessoas que ganham até dois salários mínimos”, acrescentou.

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