Produtora de moda diz ter sido vítima de racismo em loja de luxo de SP

De acordo com relato, o episódio teria acontecido quando a stylist foi buscar peças para a produção de Taís Araújo em série

atualizado 23/01/2021 21:22

Reprodução

A produtora de moda Naiara Albuquerque acusa a loja de acessórios de luxo Lool, no Shopping Iguatemi, em São Paulo, de prática de racismo. O episódio teria ocorrido na última quinta-feira (21/1), quando Naiara foi ao estabelecimento escolher peças que seriam usadas pela atriz Taís Araújo na série Aruanas, da TV Globo. As informações foram reveladas pela colunista Mônica Bergamo, da Folha.

De acordo com o relato da advogada Juliana Souza, Naiara foi buscar as peças conforme acordado previamente pelo marketing da loja. Ao chegar na multimarcas, uma vendedora pediu que ela aguardasse do lado de fora. Como uma senhora estava sendo atendida naquele momento, a produtora de moda supôs que o pedido seria por conta das medidas de enfrentamento à Covid-19.

Ela então resolveu deixar a loja enquanto aguardava seu atendimento. No entanto, ao retornar, viu quatro clientes não negras sendo recebidas pela mesma vendedora. Em entrevista à coluna, a advogada relata que o caso “extrapola o que a gente está acostumado a ver em episódios de racismo. Se trata de uma discriminação direta. É racismo porque ela não pôde permanecer dentro da loja”, afirma.

A multimarcas publicou um pedido de desculpas nas redes sociais e afirma que a denúncia “está completamente em desacordo com os valores da Lool”. O texto diz ainda que a empresa está refletindo sobre políticas internas de contratação e treinamento de colaboradores. De acordo com o post, a fundadora da loja, Luiza Setúbal, entrou em contato com Naiara Albuquerque para se desculpar pelo ocorrido.

A advogada Juliana Souza afirma que serão tomadas medidas legais a respeito do caso e que a defesa de Naiara está à disposição para construir uma proposta de reparação não apenas individual, mas que também sirva à comunidade negra. “Como a gente está tratando de racismo institucional, a marca precisa construir, de fato, uma série de medidas para a revisão dessas práticas racistas”.

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