Prevent Senior gastou R$ 4,8 milhões com kit covid na pandemia

Com o montante, foram adquiridos 1,98 milhão de comprimidos de hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina

atualizado 05/10/2021 18:54

difosfato de cloroquinaReprodução/Senadoleg

Planilhas de compras da Prevent Senior, as quais a CPI da Covid-19 teve acesso, apontam que a operadora de saúde gastou R$ 4,8 milhões durante com medicamentos da kit covid.

Segundo reportagem do Estado de São Paulo, com o montante, foram adquiridos 1,98 milhão de comprimidos de hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina. Nenhum deles tem eficácia comprovada contra a Covid-19. Em justificativa, a empresa afirmou que as compras foram feitas por “prevenção”.

Do total gasto com hidroxicloroquina e azitromicina durante a pandemia, 75% do valor foi desembolsado entre março e maio de 2020. Os meses coincidem com o período em que a Prevent Senior fez estudo para testar a eficácia dos remédios para tratar a doença.

Denúncias

Em depoimento à CPI da Covid-19, em 28 de setembro, a advogada Bruna Morato, representante de ex-médicos da operadora Prevent Senior que denunciaram supostas irregularidades cometidas pela empresa no tratamento de pacientes com Covid-19, afirmou ter ouvido relatos de médicos que se disseram obrigados a prescrever o Kit Covid para não serem demitidos.

“Quando você tem o kit [Covid], que vinha lacrado, com instrução de uso pré-pronta, eu não tenho como falar para meu cliente [médico] que está exercendo a função de forma autônoma”, disse.

“Chegou a um ponto tão lamentável, na minha opinião. Esse kit era composto por oito itens e o plantonista dizia para o paciente: ‘Preciso te dar. Se eu não der, sou demitido. Se você for tomar, toma só as vitaminas e proteínas. Os outros [medicamentos do kit], além de não terem eficácia, são muito perigosos'”, contou.

Bruna também relatou que tem sofrido ataques por parte da empresa. “Nos últimos dias, ela [Prevent Senior] vem me atacando e sendo um tanto quanto rude nas suas colocações, tanto nas redes sociais como nos veículos de comunicação. Agradeço, porque seria difícil explicar a ideologia da empresa, mas fica claro quando a gente analisa os ataques infundados que a empresa vem fazendo contra a minha pessoa, explicar a constante política de opressão”, disse.

Os profissionais de saúde, desligados da empresa, elaboraram um dossiê entregue à comissão com denúncias de uso indiscriminado, nos hospitais da empresa, de medicamentos — como cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina — sem comprovação de eficácia para o tratamento da Covid-19.

A empresa, conforme revelou o Metrópoles, adotou o protocolo de administrar esses fármacos e passou dados para acompanhamento do governo federal. O padrão de uso foi desenvolvido com a ajuda de ao menos um membro do “gabinete paralelo”, que aconselhou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na condução da pandemia.

Além disso, a operadora de saúde é acusada de ter coagido médicos para que aplicassem as drogas em pacientes sem o conhecimento deles ou dos familiares, e até do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). A empresa também é suspeita de ter ocultado, em estudo sobre a cloroquina, o número de mortes de pessoas em tratamento contra a Covid-19.

Outra acusação que pesa sobre a empresa é a de alterar atestados de óbitos para ocultar morte de pacientes por Covid-19, com orientação para os médicos mudarem os prontuários.

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