Presidente do INSS cai por fazer contrato milionário em loja de bebida
Francisco Lopes foi exonerado do cargo em virtude de determinação do ministro do Desenvolvimento Social, Alberto Beltrame
atualizado
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O presidente do INSS, Francisco Lopes, foi demitido do cargo nesta quarta-feira (16/5). A exoneração é resultado de determinação do ministro do Desenvolvimento Social, Alberto Beltrame. Lopes é suspeito de contratar a RSX Informática Ltda. com o objetivo de fornecer programas de computador para o instituto. No entanto, descobriu-se que a empresa operava em um estabelecimento comercial destinado à distribuição de bebidas. A denúncia foi publicada pelo jornal O Globo nessa terça-feira (15/5).
Lopes autorizou a assinatura de um contrato no valor de R$ 8,8 milhões, em abril deste ano, mesmo depois de servidores do próprio INSS alertarem, por meio de ofícios, que o material não teria serventia para o órgão federal.
Antes da demissão, Beltrame chegou a levar o episódio ao ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. O deputado André Moura (PSC-SE), líder do governo, também teria sido consultado. O parlamentar queria manter Lopes no cargo, mas acabou tendo a opinião vencida. A direção do PSC é responsável por indicações de dirigentes do INSS.Visita a sede da RSX
Após a denúncia que movimentou o órgão federal, o Metrópoles visitou a sede da empresa e confirmou que no local havia um depósito de vinhos. A atendente da RSX, identificada apenas como Paula, recebeu a equipe de portas fechadas e não deu detalhes dos serviços nem valores dos pacotes de sites e aplicativos criados.
Por fora não há nenhuma identificação de que ali funcione uma prestadora de serviços de informática. Atrás das grades que protegem a empresa, a mulher diz apenas receber os clientes e repassa os contatos para o dono da empresa, Lawrence Barbosa.
Dentro do imóvel de três pavimentos e cerca de 200m² localizado na 714/715 Norte é possível ver a nova recepção com fachada modificada depois da denúncia de irregularidades.
Vizinhos afirmaram que no local funcionava um depósito de vinho e não havia movimentação de funcionários. Procurada, a assessoria de comunicação da empresa informou que a RSX Informática é “vítima de uma campanha difamatória, com objetivo de alimentar disputas pelo comando do órgão [INSS]”.
Veja o texto da empresa na íntegra:
“A RSX Informática é vítima de uma campanha insidiosa de difamação perpetrada por meio de matérias divulgadas na imprensa com o objetivo de alimentar disputas políticas pelo comando do INSS. Os textos tendenciosos divulgados até agora têm o claro propósito de impor ares de ilegalidade a processos públicos legais de licitação e de contratação de nossos produtos e serviços.
Diante disso, sentimo-nos na obrigação de prestar os seguintes esclarecimentos: a empresa foi fundada em Brasília, em 1998, com objetivo de integrar soluções em tecnologia para fornecimento ao mercado público e privado. Representamos, fornecemos e operacionalizamos soluções nas áreas de tecnologia da informação e desenvolvimento, como as oferecidas pela HP, Chakara, Safeval, dentre outras.
Nos últimos 12 anos, levamos nossos serviços a diversos órgãos públicos, como os ministérios da Integração, do Trabalho e Emprego, Petrobras, Funasa, Fundação Banco do Brasil e INEP, sempre por meio de processos de licitação pública com contratos protegidos por cláusulas de confidencialidade. No INSS, por exemplo, nossas soluções têm o objetivo de auxiliar no combate a fraudes, que alcançam a monta de R$ 90 bilhões por ano.
Desde já, estamos à inteira disposição de todos os órgãos de controle para a realização das verificações e vistorias que se fizerem necessárias em nossas instalações e documentações. Informamos ainda que todas as medidas judiciais cabíveis estão sendo tomadas para total esclarecimento do caso e pleno restabelecimento da verdade. Solicitamos a este veículo a divulgação do inteiro teor desta nota como garantia do nosso direito de pronunciamento diante das graves acusações lançadas sobre nós”










