Wassef: “Se Milton usou nome de Bolsonaro, foi sem autorização”

Advogado critica "uso do nome" do presidente pelo ex-ministro: "Ele que responda. Compete ao ex-ministro se explicar sobre o que ele fala"

atualizado 24/06/2022 20:22

Presidente da República, Jair Bolsonaro, e o advogado Frederick Wassef durante coletiva coletiva sobre combustíveis no palacio planalto 2Igo Estrela/Metrópoles

O advogado da família Bolsonaro Frederick Wassef afirmou nesta sexta-feira (24/6), durante conversa com a imprensa, que se o ex-ministro Milton Ribeiro, investigado “usou o nome” do presidente Jair Bolsonaro (PL) sem sua autorização, que o ex-integrante do governo “responda” por seus atos. O ex-ministro da Educação é investigado por suposto esquema de liberação de verbas da pasta, mediante propina a pastores evangélicos.

Mais cedo, foi divulgada uma conversa entre o ex-ministro da Educação e sua filha, dizendo que recebeu uma ligação do mandatário da República em que o presidente dizia temer ser atingido pela investigação da Polícia Federal. A ligação ocorreu em 9 de junho, antes de Ribeiro ter sido alvo da operação da corporação, em 22 de junho. Após a divulgação da gravação, o Ministério Público Federal (MPF) pediu que a Justiça envie a investigação para o Supremo Tribunal Federal (STF).

“Se o ex-ministro usou o nome do presidente Bolsonaro, usou sem seu conhecimento, sem sua autorização. Ele que responda. Compete ao ex-ministro se explicar sobre o que ele fala, disse Wassef a jornalistas.

“Repito não tem nada que ver com esse inquérito dessa investigação, tiraram de contexto uma frase. O presidente Bolsonaro não tem nenhum contato e nunca mais falou com o ex-ministro. Se afastou”, ressaltou o advogado.

“A Polícia Federal de Brasília, como toda no Brasil, é séria, competente. A Superintendência da Polícia Federal em Brasília é conhecida pelo povo como a mais rigorosa do Brasil. Tanto não existe interferência do presidente Bolsonaro, que no referido inquérito foram instauradas todas as ações, diligências e atos exclusivos da polícia judiciária foram efetuadas, inclusive apreensão, prisão, preventiva, todos a”, emendouí.

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Prisão de ex-ministro

Ribeiro foi preso na manhã dessa quarta-feira (22/6), em Santos (SP), no âmbito de uma operação da Polícia Federal que investiga suposto esquema de liberação de verbas do Ministério da Educação, mediante propina a pastores evangélicos. Nesta quinta, o ex-ministro foi solto por determinação do desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que derrubou a prisão preventiva.

O suposto esquema, no qual o Ministério da Educação teria favorecido indicações de pastores em agendas e direcionamento de recursos, foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo.

A reportagem também apontou a existência de um “gabinete paralelo” de pastores. O suposto grupo exerceria controle sobre verbas e agenda do Ministério da Educação. Para isso, cobrariam propinas de gestores municipais interessados em obter obras do MEC.

Dias depois, o jornal Folha de S.Paulo revelou um áudio em que Ribeiro diz ter atendido a pedidos do presidente Jair Bolsonaro para favorecer pastores com verbas da pasta.

O “gabinete paralelo” do MEC seria formado por pastores sem cargo no governo. São eles: Gilmar Santos e Arilton Moura. Ambos são integrantes da Assembleia de Deus. Gilmar também preside a Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil Cristo Para Todos (Conimadb).

A atuação incluiria pedidos de propina a prefeitos para facilitar acesso a recursos da pasta. Para agilizar o direcionamento de fundo orçamentário proveniente do ministério, o pastor Arilton Moura teria solicitado, por exemplo, R$ 15 mil e 1 kg de ouro ao prefeito do município de Luís Domingues (MA), Gilberto Braga (PSDB).

Na ocasião, Arilton teria mencionado deliberadamente a destinação de recursos, na presença de outros prefeitos. O pastor também teria repassado o número da conta bancária para que os líderes municipais efetuassem as transferências.

Operação da PF

A ordem de prisão, realizada pela Polícia Federal, foi determinada pelo juiz federal Renato Borelli. No mandado de prisão, o magistrado elenca ao menos quatro crimes que teriam sido cometidos por Ribeiro: corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência.

A PF também cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços dos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos. Eles são ligados ao presidente Bolsonaro e apontados como lobistas que atuavam no MEC, quando a pasta era comandada por Ribeiro.

Os pastores negociavam com prefeitos a liberação de recursos federais – mesmo sem ter cargo no governo.

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