The Guardian sobre Bolsonaro: “É um perigo para os brasileiros”

Jornal britânico, um dos mais importantes da Europa, faz editorial ácido contra o presidente brasileiro e sua liderança durante a crise

O jornal britânico The Guardian publicou um editorial, no início da noite desta terça-feira (31/03), em Londres, com duras críticas à liderança do presidente brasileiro durante a crise do novo coronavírus. O título define a posição do veículo de comunicação, um dos mais importantes do Reino Unido – e da Europa: “Um perigo para os brasileiros”. Imediatamente abaixo, o resumo do que vem no texto (aqui, em tradução livre): “O presidente está arruinando as tentativas de seu país de conter a propagação do coronavírus”.

Os editorialistas ingleses começam a esboçar a visão do jornal dando um panorama do que é o Brasil nesta semana: grande parte fechado, governadores impondo quarentenas rigorosas, ministro da Saúde estimulando as pessoas a ficar em casa e advertindo do risco de um colapso do sistema de saúde caso a transmissão do vírus não seja contida – e um cidadão desafiando as restrições, indo a um passeio por um mercado local e tendo postagens em redes sociais removidas por propagandear “remédios sem comprovação” e por atacar o isolamento social.

“Infelizmente, este cidadão é o presidente”, arremata o Guardian.

O jornal prossegue com uma avaliação do primeiro ano de Bolsonaro, citando ataques aos direitos humanos, a minorias e às artes, além dos problemas na Amazônia. “Sua resposta ao coronavírus [entretanto] atingiu novas profundezas. Vários governos terão que responder por seus erros e sua complacência quando a pandemia acabar. [Mas] A performance do Sr. Bolsonaro está em um patamar só seu (tradução livre).”

O The Guardian, então, relembra as avaliações que o presidente brasileiro já fez minimizando o coronavírus, como quando chamou a doença de “gripezinha” ou “resfriadinho”, ou mesmo uma “fantasia”, e cita o passeio por cidades do Distrito Federal neste domingo (30/03), quando encontrou e cumprimentou comerciantes, ambulantes e transeuntes, como “duplamente irresponsável”. O jornal espanca essa minimização do perigo da pandemia pelo brasileiro: “…o perigo é não apenas as mensagens que ele mandou, mas o risco físico que acarreta a outros”.

O editorial do jornal britânico aponta que, “por mais errático que seu corrente caminho seja, sem dúvida deve algo a seus cálculos políticos”. Por essa avaliação, ao atacar as restrições impostas por governadores e prefeitos, quando a economia afundar ele poderá culpar decisões tomadas por outros. O texto registra que Bolsonaro sempre cresceu com confrontos e caos.

Mas adverte, no fim do editorial, após apontar afastamento de aliados, como os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), e de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL): “Sr. Bolsonaro pode não acreditar em distanciamento físico, mas está se provando incrivelmente bem-sucedido em isolar a si mesmo”.