Renan diz que Prevent Senior adotou “prática nazista criminosa”

Os relatos dos depoentes, um paciente e um ex-médico da operadora, emocionaram os senadores na sessão desta quinta-feira (7/10)

atualizado 07/10/2021 14:45

Relator da CPI da Covid, Renan CalheirosHugo Barreto/Metrópoles

O relator da CPI da Covid-19, senador Renan Calheiros (MDB-AL), classificou como “prática nazista criminosa” os protocolos da Prevent Senior para tratar beneficiários da rede infectados pelo novo coronavírus. A fala ocorreu em sessão realizada nesta quinta-feira (7/10) e destinada a colher o depoimento de um paciente e de um médico que atuava na operadora de plano de saúde.

Os pronunciamentos dos depoentes emocionaram os senadores presentes na sessão. Segundo o paciente Tadeu Frederico de Andrade, os profissionais da empresa teriam tentado convencer familiares de que seu quadro de saúde era irreversível e, dessa forma, o recomendado seria não reanimá-lo, em caso de parada cardíaca. Andrade buscou atendimento junto à operadora após contrair o novo coronavírus.

Durante a oitiva aos parlamentares, o advogado narra ter feito uma consulta inicial, por meio virtual. No primeiro encontro, após a descrição dos sintomas, médicos da Prevent lhe prescreveram fármacos previstos no chamado “tratamento precoce”. Depois de cinco dias administrando remédios ineficazes, o quadro se agravou. “Eu não melhorei, eu piorei”, enfatizou.

“Comecei a ser medicado por uma teleconsulta, sem saber o que eu tinha. Tive resultado positivo, já estava terminando esse tratamento e estava piorando. No dia 30 de dezembro à noite, tive que ir para um pronto-socorro. Fiz novamente um exame de PCR, que confirmou meu diagnóstico. Foi constatado que eu estava com pneumonia bacteriana avançada. Acho que um atendimento imediato, no primeiro dia, talvez tivesse sido combatido a doença mais eficientemente”, detalhou aos senadores.

Após 30 dias da internação de Andrade em uma unidade de terapia intensiva (UTI) em hospital da Prevent Senior, a filha dele recebeu ligação de uma médica da empresa sugerindo que ele migrasse para um “leito híbrido”. Segundo o depoente, a profissional foi identificada como Daniela de Aguiar Moreira da Silva.

“Eu sairia da UTI e iria para um leito híbrido e, nas palavras dela, teria ‘maior dignidade e conforto’, pois meu óbito ocorreria em poucos dias”, afirmou.

O advogado disse ainda que havia uma orientação dos profissionais de saúde para não o reanimarem. “Seria ministrada em mim uma bomba de morfina, e todos os meus equipamentos de sobrevivência seriam desligados. Havia recomendação para não haver reanimação, se eu tivesse uma parada cardíaca. Minha filha não concordou”, disse.

Últimas notícias