PF cobra Heleno sobre queixas de Bolsonaro a respeito da segurança no RJ

Corporação quer que o Gabinete de Segurança Institucional apresente informações mostrando que críticas do presidente não eram à PF

atualizado 25/05/2020 20:55

A Polícia Federal (PF) cobrou do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), comandado pelo general Augusto Heleno, a apresentação de provas que apontariam a insatisfação do presidente Jair Bolsonaro com a segurança pessoal dele e de seus familiares no Rio de Janeiro. A versão do governo é de que as declarações do chefe do Executivo federal durante a reunião ministerial eram reclamações sobre a segurança pessoal, e não sobre a Polícia Federal.

A PF quer que o ministro apresente todas as eventuais trocas de comando na chefia do Escritório Regional do GSI no Rio de Janeiro entre 2019 e 2020, o detalhamento de eventuais óbices ou embaraços a nomes escolhidos para a segurança pessoal de Bolsonaro e seus familiares no período e informações sobre eventual extensão desde o ano passado da segurança pessoal do presidente.

As declarações de Bolsonaro se tornaram públicas na última sexta-feira (22/05), após o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a divulgação da gravação da reunião ministerial. Entre palavrões e ameaças, as imagens mostram o presidente cobrando mudanças no governo e fazendo pressão sobre o então ministro da Justiça, Sergio Moro, e os demais auxiliares sob a alegação de que não esperaria “foder a minha família toda”.

“Mas é a putaria o tempo todo pra me atingir, mexendo com a minha família. Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira”, disse Bolsonaro.

O Planalto alega que, neste momento, o presidente se referia à sua segurança pessoal no Rio de Janeiro, a cargo do Gabinete de Segurança Institucional,. Ele não faz nenhum apontamento sobre a declaração durante a reunião.

Reportagem do Jornal Nacional, no entanto, mostrou que o presidente fez alterações, incluindo a promoção, de servidores em sua segurança pessoal semanas antes da reunião sem qualquer dificuldade.

Moro, por sua vez, acusa o presidente de ameaçar demiti-lo caso não aceitasse a saída de Maurício Valeixo da direção-geral da PF e a substituição do comando da corporação no Rio de Janeiro, foco de interesse da família presidencial.

Furna da Onça
As solicitações foram feitas no mesmo despacho que pede o compartilhamento do inquérito que apura suposto vazamento da Operação Furna da Onça, que atingiu o ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz. Neste caso, o empresário Paulo Marinho acusou um delegado da PF de repassar informações sobre a investigação à família Bolsonaro e adiar a deflagração da operação para depois do segundo turno das eleições.

Marinho será ouvido pela PF no inquérito Moro versus Bolsonaro nesta terça-feira (26/05), às 9 horas, na sede da Superintendência da PF no Rio de Janeiro.

O documento também pede que a Superintendência Federal do Rio apresente índices mensais e o compilado anual de produtividade operacional da corporação fluminense de 2017, 2018 e 2019 e os dados anuais de produtividade operacional de todas as unidades da Polícia Federal no último triênio, assim como a metodologia empregada para medir tais índices.

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