Mulheres ocupam menos de um terço das secretarias municipais das capitais

Levantamento do Metrópoles mostra que elas estão em apenas 26,5% do total de pastas do 1° escalão dos Executivos municipais

atualizado 27/01/2021 22:16

Apesar de ser a maioria da população brasileira, mulheres foram nomeadas para 116 dos 437 cargos de chefia nas secretarias municipais das capitais, o que representa 26,5% do total – ou seja, menos de três a cada 10 pastas dos Executivos municipais. O levantamento do Metrópoles considerou apenas o primeiro escalão dos secretariados, e não as secretarias extraordinárias ou executivas, fundações, direções e autarquias.

Os dados de São Luís (MA) e de Macapá (AP) não estão completos, visto que os prefeitos eleitos das respectivas cidades, Eduardo Braide (Podemos-MA) e Dr. Furlan (Cidadania-AP), ainda devem divulgar novos nomes para o secretariado.

Em Florianópolis (SC), o prefeito reeleito Gean Loureiro (DEM), e em Palmas (TO), a prefeita reeleita Cinthia Ribeiro (PSDB) – única mulher no cargo em capitais – mantiveram o secretariado da gestão anterior e vêm anunciando alterações pontuais.

Paridade

Recife (PE), com 50%; Belém (PA), com 46,1%; e Macapá, com 45,4%; são as capitais com maior representação feminina no Executivo. As mulheres ocupam nove das 18 secretarias da prefeitura da capital pernambucana, seis das 13 na capital paraense e cinco das 11 na capital amapaense.

Essa paridade de gênero no primeiro escalão do secretariado foi promessa de campanha dos prefeitos eleitos de Recife, João Campos (PSB), e de Belém, Edmilson Menezes (PSol). Ambos são ex-deputados federais que deixaram o cargo para assumir o Executivo estadual.

Disparidade

Por outro lado, Goiânia (GO), com 6,2%; Maceió (AL), com 7,1%; Campo Grande (MS), com 8,3%; são as prefeituras das capitais que possuem menor representatividade feminina. Nos três casos, apenas uma mulher ocupa cargo de chefia no primeiro escalão.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) 2019, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 51,8% da população brasileira são mulheres. A baixa representatividade não é observada apenas nos secretariados mas também no comando dos Executivos: apenas uma mulher foi eleita prefeita numa capital em 2020.

O governo do Distrito Federal, com 15,6%, foi incluído no levantamento por causa da peculiaridade administrativa. Afinal, o Distrito Federal possui competência legislativa de estado e de município, embora não realize eleições para prefeito ou vereadores.

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Quando se trata de espaços ocupados – nome e estrutura das pastas mudam de município para município –, ao menos 16 mulheres chefiam secretarias de Educação; 11, de Assistência Social ou Direitos Humanos; e 10, de Saúde – relevante, sobretudo, neste momento de pandemia da Covid-19. Sete ocupam as pastas de Finanças, Fazenda, Gestão ou Administração – ou seja, responsáveis pelo Orçamento municipal.

Preconceito e avanço

A cientista política Mariana Fonseca, da ONG Elas no Poder, avalia que essa baixa representação feminina nos primeiros escalões dos Executivos municipais ocorre pela visão da sociedade de achar que política não é espaço para mulher. “Isso ainda está muito relacionado com o machismo que existe na sociedade de imaginar que política não é um espaço para ser ocupado por mulheres”, diz.

“As mulheres também têm competência para ocupar esses espaços [cargos no primeiro escalão]. Mas muitas vezes há essa barreira de que as mulheres não têm capacidade para ocupar esses cargos e, quando vamos observar, essas mulheres são altamente qualificadas, com formação e experiência na área”, acrescenta.

A cientista política, todavia, avalia que o fato de mulheres estarem ocupando pastas como Educação, Saúde e, sobretudo, as que mexem com o orçamento, como Finanças, Fazenda, Administração ou Gestão, são avanço relevante. “É uma luta muito antiga que está tendo visibilidade agora e temos conseguido avanços importantes, mas ainda há muita coisa para fazer”, conclui.

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