Mulher que pediu Exército nas ruas relata ameaças “até da África”

Pedido de Fátima Montenegro viralizou nas redes sociais após Bolsonaro compartilhar o vídeo da professora e empresária na frente do Alvorada

atualizado 03/04/2020 17:27

Em entrevista ao Metrópoles, a ex-empresária se diz “arrependida” da frase que disse ao presidente Jair Bolsonaro. “Por que não veio polícia na minha cabeça”redes sociais/ reprodução

A empresária e professora Fátima Montenegro, que pediu diretamente ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) “Exército nas ruas” para garantir a volta das atividades interrompidas por medidas de isolamento social contra o coronavírus, disse em entrevista ao Metrópoles estar sofrendo ameaças.

O clamor de Fátima foi compartilhado no perfil oficial do próprio presidente, na manhã de quinta-feira (02/04). O episódio logo tomou repercussão nacional.

“Estão me ameaçando, não param de me ligar. Tenho meus dois filhos. Não tive intenção nenhuma, maldade de ninguém”, contou, nesta sexta-feira (03/04) ao relatar que não conseguiu dormir durante a última noite.

Segundo a professora, ela está recebendo ligações de todo o Brasil. “Inclusive de fora, até da África”, prosseguiu.

Fátima explicou que falou o que acha ao se encontrar com o presidente Bolsonaro e que agora só quer voltar à vida normal dela. A empresária bolsonarista alega que foi mal interpretada quando pediu a Bolsonaro o “Exército nas ruas”.

“Por que falei isso? Não pedi intervenção [militar]. Se não estão deixando abrir o comércio, não pode deixar ninguém fazer [nada], põe o exército para pelo menos proteger a gente. Porque vão prender a gente. Não tive outra intenção. Me arrependi tanto de falar isso. Por que não veio polícia na minha cabeça?”, disse a professora, em entrevista.

“Acho que isso incomodou todo mundo. Pode isso? Eu tenho dois filhos, estou sozinha. Estão brincando com a minha vida”, complementou. “Por Deus que não foi isso. Não precisa disso. Preciso voltar ao meu trabalho, e não tenho dinheiro para voltar.”

Perfil
Nas redes sociais, a professora bolsonarista se diz “patriota” e “conservadora”. Ela relatou ter participado das manifestações do último dia 15 de março, quando apoiadores do presidente pediram o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF).

O presidente juntou-se aos manifestantes apesar do apelo de autoridades da saúde para que ficasse em quarentena por causa de ter sido exposto ao coronavírus.

“Câmara, Senado, STF e grande imprensa estão contra o Brasil”, diz faixa apresentada pela militante.

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