Ministro Braga Netto antecipa aposentadoria no Exército

General adiantou em 5 meses sua transferência para a reserva. Decisão reforça narrativa de que instituição serve ao Estado e não ao governo

ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDO

atualizado 22/02/2020 17:02

O general Walter Souza Braga Netto comunicou na última quinta-feira (20/02/2020) ao comandante do Exército, Edson Pujol, que resolveu antecipar em cinco meses a aposentadoria das Forças Armadas. Braga Netto tomou a decisão por ter sido designado para ocupar o cargo de ministro da Casa Civil no lugar de Onyx Lorenzoni, deslocado para o Ministério da Cidadania.

Ao pedir sua aposentadoria, o general se afasta do Exército e ajuda a narrativa de que a instituição é de estado e está fora de discussões políticas. No Alto-Comando, há uma preocupação com a possibilidade de se misturar Exército com governo. Oficiais insistem em deixar claro que este não é um governo militar, embora o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) seja um ex-capitão do Exército. Além disso, o vice-presidente Hamilton Mourão também é general e vários ministros são oriundos das Forças Armadas.

Braga Netto completaria quatro anos no posto de general de Exército em 31 de julho e, pelo Estatuto dos Militares, cairia na “expulsória”. O termo é usado na caserna quando o militar tem de pedir sua transferência obrigatória para a reserva.

A situação do novo titular da Casa Civil é diferente da vivida pelo ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos. O articulador político do Palácio do Planalto é da ativa e está licenciado da Força por dois anos, até junho de 2021, quando também irá compulsoriamente para a reserva. Até lá, no entanto, se Bolsonaro entender que precisa do seu cargo, Ramos poderá voltar para a tropa e ser reintegrado ao Alto-Comando.

Na reunião realizada no Quartel-General do Exército, Braga Netto também avisou que estava deixando o grupo de WhatsApp do Alto-Comando, do qual é administrador. O “posto” será transferido para o general Marco Antonio Amaro dos Santos, que assumirá a Chefia do Estado-Maior do Exército no fim de março. O grupo é composto por 16 generais, que trocam mensagens sobre questões da caserna. Ramos não está nele.

Promoções
Com a saída de Braga Netto, as promoções de 31 de março terão duas vagas de general quatro estrelas, o mais alto posto da Força. A primeira, do general Geraldo Antonio Miotto, atual Comandante Militar do Sul, será ocupada por Fernando José Sant’Anna Soares e Silva, designado para o Comando Militar do Oeste, em Campo Grande (MS). Para o lugar de Miotto, em Porto Alegre, irá o general Valério Stumpf Trindade, que deixará a Secretaria de Economia e Finanças do Exército.

A segunda vaga de quatro estrelas das promoções de março ficará com o general Eduardo Antonio Fernandes. Ele irá para o comando Militar do Sudeste, em São Paulo, no lugar do general Amaro.

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