Grupo de deputados democratas dos EUA critica Bolsonaro em carta

Uma ala do partido do presidente eleito Joe Biden vê no brasileiro ameaças antidemocráticas e xenófobas

atualizado 02/12/2020 23:27

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Um grupo de 22 deputados americanos democratas divulgou uma carta nesta quarta-feira (2/12) de apoio à deputada federal pelo PSol Talíria Petrone (foto em destaque). O texto, com críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), é mais um de uma sequência de manifestações contra o atual governo divulgadas por uma ala do Partido Democrata que vê no brasileiro ameaças antidemocráticas e xenófobas.

Desde a eleição em 2018, Bolsonaro é alvo de críticas de deputados do partido. Os questionamentos à política ambiental e de direitos humanos do governo brasileiro são feitos em cartas, resoluções e propostas de emenda que circulam no Congresso americano. Agora, com a eleição do democrata Joe Biden, as críticas de Bolsonaro feitas na Câmara dos Deputados podem reverberar mais facilmente na Casa Branca.

Os democratas americanos citam o assassinato da vereadora Marielle Franco, as ameaças ao ex-deputado Jean Wyllys e a Talíria e dizem estar preocupados com a falta de proteção dada a parlamentares negros no Brasil. “Estamos preocupados com o repetido ataque a uma parcela dos eleitos já subrepresentada”, escrevem os deputados americanos. Talíria Petrone vem sofrendo ameaças e deixou o Rio de Janeiro recentemente com a filha, para se proteger.

“É completamente inaceitável que autoridades eleitas em uma democracia não possam cumprir seus mandatos por causa de ameaças a eles e a seus parentes. Pedimos uma investigação completa e imparcial sobre essas ameaças, para identificar e processar os responsáveis”, escreveram os parlamentares.

“As tentativas do presidente Bolsonaro de dividir o povo brasileiro contribuíram para um aumento na violência política durante as eleições locais de 2020”, afirmam os americanos.

Minando direitos

“Como o presidente Bolsonaro continua a minar os direitos dos afro-brasileiros, mulheres, indivíduos LGBTQI+, povos indígenas e outros, estamos vendo as forças do racismo, sexismo e homofobia perigosamente encorajadas no Brasil. É por isso que, desde o início da presidência de Bolsonaro, uma ampla coalizão de membros do Congresso dos EUA se manifestou contra e trabalhou para conter o apoio do governo Trump ao presidente Bolsonaro”, escrevem os deputados.

O texto é assinado por 22 deputados. Uma das signatárias é a deputada Deb Haaland, cotada para assumir a chefia do Departamento do Interior no governo Biden. Se for alocada como integrante do governo do novo presidente eleito, a hoje deputada deve levar a crítica a Bolsonaro para mais perto da nova Casa Branca.

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