Governo vai tornar sem efeito nomeação do novo presidente do BNB

Nome para comandar Banco Nacional do Nordeste foi repensado após suspeitas de irregularidades em contratações feitas pela Casa da Moeda

atualizado 03/06/2020 15:59

O governo federal vai tornar sem efeito a nomeação de Alexandre Borges Cabral para a presidência do Banco Nacional do Nordeste. O movimento do Executivo ocorre um dia após Cabral tomar posse como chefe do banco.

O Palácio do Planalto decidiu repensar a nomeação após o jornal O Estado de S. Paulo revelar que Cabral é alvo de uma apuração, conduzida pelo Tribunal de Contas da União (TCU), sobre suspeitas de irregularidades em contratações feitas pela Casa da Moeda durante sua gestão à frente da estatal, em 2018. O prejuízo é estimado em R$ 2,2 bilhões.

O nome de Cabral foi indicado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, na tentativa de evitar uma indicação do Partido Liberal (PL), sigla liderada pelo ex-deputado Valdemar da Costa Neto, condenado no mensalão. Segundo fontes palacianas, o nome de Cabral não foi uma indicação política.

Relação com o Centrão

Na semana passada, durante transmissão ao vivo nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) admitiu, pela primeira vez, que está negociando cargos com o Centrão, mas apenas de “segundo e terceiro escalão”, não “ministérios, estatais ou bancos oficiais”.

O Centrão reúne parlamentares de legendas de centro e centro-direita. A aproximação de Bolsonaro do bloco é uma tentativa do Executivo para barrar a abertura de um eventual processo de impeachment, além de formar uma base estável para aprovar projetos de interesse do governo e barrar eventuais denúncias no Congresso.

“Sim, alguns querem cargos. Não vou negar isso daí. Alguns, não são todos. Agora, em nenhum momento nós oferecemos ou eles pediram ministérios, estatais ou bancos oficiais”, disse o presidente na ocasião.

Durante a transmissão, Bolsonaro citou o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) para exemplificar as nomeações feitas pelo governo até agora. “Você pega o MDR, por exemplo, que tem uma estrutura gigantesca, que em grande parte tem uma atuação no Nordeste. E tem cargo na ponta da linha, segundo e terceiro escalão, que estava na mão de pessoas de governos anteriores ao Temer. Então, nós trocamos algum cargo neste sentido, atendemos, sim, alguns partidos neste sentido”, declarou.

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Encontros com Centrão mais que triplicaram

Levantamento feito pelo Metrópoles mostra que Bolsonaro mais que triplicou os encontros com parlamentares do bloco e nomeou filiados em cargos de relevo do governo. A pesquisa tem base nos compromissos divulgados na agenda presidencial entre 1º de janeiro e 22 de maio deste ano.

Desde o início da pandemia do coronavírus, o presidente realizou 47 encontros privados ou coletivos com parlamentares do grupo no Palácio do Planalto. Em janeiro e fevereiro, antes de dar início à estratégia, o presidente encontrou-se apenas 13 vezes com esses parlamentares.

No levantamento, não foram incluídas reuniões de Bolsonaro com líderes do governo no Congresso ou com o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS).

Entre os partidos do Centrão, estão PP, PL, Republicanos, Solidariedade e PTB. Siglas como PSD, MDB e DEM não se consideram parte do grupo, mas em negociações estratégicas costumam estar alinhadas, bem como legendas menores, como Pros, PSC, Avante e Patriota.

No primeiro bimestre, Bolsonaro priorizou encontros com o PSC, antiga sigla do seu filho Carlos Bolsonaro, vereador pelo Rio de Janeiro. Foram cinco reuniões privadas ou coletivas no período. Em seguida, aparecem o PSD (3) e Republicanos (2). De março até a última semana, o PSD foi a sigla que mais teve encontros com o presidente: foram 20 no total. Na sequência, aparecem o PP (6), PSC, MDB e DEM (5), além do PL (3).

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