Gilmar Mendes sobre AI-5: “Período de trevas da ditadura”

Ministro do STF reagiu ás declarações do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que defendeu "um novo AI-5" para conter a esquerda no país

atualizado 01/11/2019 12:16

Daniel Ferreira/Metrópoles

Um dia após a polêmica envolvendo a declaração do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) sobre um “novo AI-5“, decreto que recrudesceu atos da ditadura militar, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes criticou o filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Nesta sexta-feira (01/11/2019), o ministro usou as redes sociais para comentar. “O AI-5 impôs a perda de mandatos de congressistas, a suspensão dos direitos civis e políticos e o esvaziamento do Habeas Corpus”, escreveu no Twitter.

Gilmar Mendes prosseguiu: “É o símbolo maior da tortura institucionalizada. Exaltar o período de trevas da ditadura é desmerecer a estatura constitucional da nossa democracia”, enfatizou.

O ato vigorou até 1978. O decreto é duramente criticado por historiadores, sociólogos e antropólogos por ter aumentado a ocorrência de atos de tortura, assassinatos e sequestros por parte das forças da ditadura. Além disso, intensificou o cerceamento das oposições, com perseguição a lideranças políticas, sindicais e de movimentos sociais, como os estudantis.

Segundo o deputado, se a esquerda brasileira “radicalizar“, uma resposta pode ser “via um novo AI-5“. Na entrevista, ele reclamou que tudo de ruim que acontece é creditada a culpa no pai. Depois da repercussão negativa, Eduardo pediu desculpas e disse que foi mal interpretado.

A declaração movimentou os três Poderes, com reações críticas. As mais enérgicas chegaram a pedir a cassação do mandato de Eduardo, eleito com 1,8 milhão de votos. Os presidentes da República, da Câmara, do Senado e ministros do STF repudiaram a fala.

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