“Defender a ditadura é flertar com o caos”, diz Rodrigo Maia

Presidente da Câmara criticou Jair Bolsonaro por participar de ato contra o Congresso e o STF e pró-intervenção militar

Em nome da Câmara dos Deputados, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), repudiou, pelo Twitter, “todo e qualquer ato que defenda a ditadura, atentando contra a Constituição”. O posicionamento faz referência à participação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em manifestação pró-intervenção militar na tarde desde domingo (19/04).

“Defender a ditadura é estimular a desordem. É flertar com o caos. Pois é o Estado Democrático de Direito que dá ao Brasil um ordenamento jurídico capaz de fazer o país avançar com transparência e justiça social”, escreveu o deputado.

Além de criticar as falas pró-intervenção, Maia disse que a “disciplina democrática e solidariedade com o próximo” são necessárias para vencer a guerra contra o novo coronavírus. “No Brasil, temos de lutar contra o corona e o vírus do autoritarismo. É mais trabalhoso, mas venceremos”, disparou.

O mundo inteiro está unido contra o coronavírus. No Brasil, temos de lutar contra o corona e o vírus do autoritarismo. É mais trabalhoso, mas venceremos. Em nome da Câmara dos Deputados, repudio todo e qualquer ato que defenda a ditadura, atentando contra a Constituição.

— Rodrigo Maia (@RodrigoMaia) April 19, 2020

Destacando que já são 2.462 mortes registradas no país, ele sustentou que pregar ruptura democrática é “crueldade imperdoável com as famílias das vítimas e um desprezo com doentes e desempregados”. “Não temos tempo a perder com retóricas golpistas. É urgente continuar ajudando os mais pobres, os que estão doentes esperando tratamento em UTIs e trabalhar para manter os empregos. Não há caminho fora da democracia.”

Manifestação
Mais uma vez participando de aglomerações ainda que as orientações de autoridades de saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS) sejam no sentido contrário, Bolsonaro discursou, neste domingo, sob gritos de “intervenção militar” e “AI-5”, em referência ao mais repressor dos atos institucionais editados durante a ditadura militar.

Em cima de uma caminhonete, Bolsonaro também disse que “nós não queremos negociar nada, queremos ação pelo Brasil”. “Nós temos um novo Brasil. Tem que ser patriota, acreditar e fazer sua parte. Acabou a época da patifaria, agora é o povo no poder”, completou.