Covid-19: Bolsonaro diz que indústria farmacêutica é “parte do mal”

Presidente falava sobre preços de remédios contra a doença e questionou suposto lobby de produtores de vacinas no Brasil

atualizado 14/10/2021 13:14

Jair bolsonaroMetrópoles

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contou detalhes de uma suposta negociação com o primeiro ministro do Reino Unido, Boris Johnson, para a compra de vacina contra a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Na ocasião, o mandatário colocou sob suspeita o lobby de produtores do imunizantes no país, afirmando que a indústria farmacêutica é “parte do mal”.

Nesta quinta-feira (14/10), o chefe do Palácio do Planalto afirmou ter dito ao primeiro-ministro britânico que não se vacinaria e que o imunobiológico produziria menos anticorpos do que a própria infecção.

“O Boris Johnson, lá do Reino Unido, queria que eu facilitasse a importação de uísque. Com todo respeito ao Boris Johnson, não é prioridade do meu governo facilitar importação de uísque. Quem quiser comprar uísque, que compre. Não está proibida a importação de uísque por parte do Brasil, mas eu não ia dispender esforços nesse sentido”, iniciou Bolsonaro.

Depois, segundo o presidente, a conversa chegou ao imunizante contra a Covid-19. “Lá na frente, a conversa com ele entrou no assunto da vacinação. Ele falou que foi vacinado e eu falei para ele: ‘Vamos apostar uma caixa de uísque como eu, não vacinado, tenho mais anticorpos do que você, vacinado?‘. Ele sorriu.”

“Por que eu vou tomar vacina para conseguir quantidade de anticorpos menor que aquela que consegui contaminado? Por que essa obsessão? Será que o lobby da vacina se faz presente aqui no Brasil?”, destacou Bolsonaro.

Como exemplo, o presidente falou sobre o comprimido desenvolvido pela AstraZeneca para o combate à Covid-19: “Pelo que nós estamos sabendo até o momento, esse comprimido que a AstraZeneca está usando serve também para combater os mesmos males que a ivermectina. Agora, com toda certeza, pode escrever aí, não sou profeta, não, pode escrever que essa caixa desse comprimido vai chegar aqui acima de R$ 300 no Brasil, quem sabe R$ 500, R$ 1.000, vai ser por aí. Então, é um negócio. A indústria farmacêutica, parte do mal, agindo nesse momento”.

Bolsonaro insistiu também em questionar a eficácia do imunizante. “A vacina é importante? Para muita gente é, mas eu respeito quem não queira tomar a vacina, ainda mais porque, por exemplo, várias vacinas não têm comprovação científica ainda.”

O remédio

O coquetel de drogas experimentais da AstraZeneca se mostrou eficaz na redução de casos graves e de mortes em pacientes não hospitalizados.

Na segunda-feira (11/10), a farmacêutica informou que o medicamento, chamado AZD7442, diminuiu em 50% o risco de desenvolver a forma grave da doença e morte em pacientes sintomáticos.

O estudo acompanhou cerca de 900 pacientes. Os resultados ainda não foram avaliados por outros cientistas nem publicados em revista científica.

A AstraZeneca produz a vacina desenvolvida pelo Universidade de Oxford. No Brasil, as doses são fabricadas pelo Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Questionamentos

Desde o início da vacinação contra a Covid-19, o presidente Bolsonaro questiona a eficácia e a segurança das doses. Ele já chegou a desacreditar a proteção do fármaco.

A mais recente declaração dele foi uma negativa a receber a vacina. Inicialmente, ele havia prometido se imunizar após a população brasileira. Contudo, mudou de ideia.

“Eu decidi não tomar mais a vacina. Eu estou vendo novos estudos, a minha imunização está lá em cima, para que vou tomar a vacina? Seria a mesma coisa que você jogar R$ 10 na loteria para ganhar R$ 2. Não tem cabimento isso”, disse na quarta-feira (13/10).

Panorama

Bolsonaro pode tomar a vacina desde o dia 3 de abril, que foi quando o governo do Distrito Federal começou a aplicar o imunizante em idosos a partir de 66 anos no DF. O presidente completou 66 anos em 21 de março.

Desde o início da vacinação, em 17 de janeiro, com a Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan, o Ministério da Saúde distribuiu 310,4 milhões de doses, sendo que 249,3 milhões já foram aplicadas entre primeira, segunda e dose única.

Ao todo, o Brasil registrou 21,6 milhões de casos de Covid-19, e 602 mil pessoas morreram com complicações da doença.

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